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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O PROGRESSO DA REVELAÇÃO (Geral e Especial): Um novo olhar sobre o Capítulo 1 da CFW.


“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”.(CFW cap.1 seção1)

Esta seção da Confissão de Fé de Westminster (CFW) traça um paralelo digno de nota acerca da progressão da revelação de Deus no decurso da história. Os puritanos que a escreveram (sec. XVII), iniciaram seu texto abordando a questão da Revelação Geral e o modo como esta é capaz de manifestar “a bondade, a sabedoria e o poder de Deus” de modo que “os homens” fiquem “inescusáveis” diante dEle, “contudo”, esta revelação não é suficiente “para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação”, pois, como escreveu o pastor Kenneth D. Macleod, “o máximo que aprendemos sobre Deus por meio da criação é extremamente limitado [já que ela] não nos pode dar conhecimento sobre o livramento de nossa condição pecaminosa”1.

“No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gen 1.1) e por meio desta criação, a primeira da qual temos relato nas Escrituras, Ele providenciou um meio pelo qual pudesse ser conhecido e adorado. Esta revelação (Geral) era suficiente para estabelecer um relacionamento correto entre criatura e Criador, de forma que tudo o que o homem precisava saber acerca de Deus encontrava-se bem diante de seus olhos.

Lemos no livro de Salmos que “os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos” (Sal 19.1); lemos ainda que “os céus proclamam a justiça dele” (Sal 50.6 a), de sorte que o simples ato de olhar para o céu já revela o Glorioso e Justo Deus, Criador de todas as coisas. O ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln (1809 – 1865) expressou essa realidade com as seguintes palavras: “Acho impossível que um indivíduo contemplando o céu possa dizer que não existe um Criador”.

Paulo, escrevendo aos romanos acerca da Revelação Geral de Deus, declara que “os Seus atributos invisíveis, Seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles [os homens] são inescusáveis” (Rom 1.20). Todavia, mesmo cercado por esta grande obra revelacional de Deus, desde a Queda o homem tem se tornado insensível e incapaz de, “mediante as coisas criadas” (Revelação Geral), aproximar-se do Criador que o formou, “por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade”. Devido a situação corrupta em que o homem encontrou-se após Adão (morto em delitos e pecados – Ef. 2.1; cego – 2 Pe. 1.9; inimigo de Deus – Rm. 5.10; Filho da ira – Ef. 2.3; etc.), fez-se necessário não só um Salvador, mas um meio mais claro pelo qual pudesse chegar ao conhecimento de sua própria situação lastimável e da necessidade deste Salvador.

Gostaria de observar que embora falando em termos de necessidade (da parte de Deus), ou seja, de fazer-se necessária uma revelação mais completa (Revelação Especial), o prof. Hermann Bavinck explicou: “Essa necessidade deve ser entendida corretamente. Ela não significa que Deus foi obrigado ou forçado, seja internamente pela razão de Seu ser, seja externamente pelas circunstâncias, a revelar-se de uma forma especial. Toda revelação, especialmente aquela que vem a nós em Cristo, através das Escrituras, é um ato da Graça de Deus, um livre uso da Sua vontade, e uma manifestação de Seu imerecido favor. Portanto, nós podemos falar da necessidade ou da indispensabilidade da revelação especial somente no sentido de que tal revelação está indissoluvelmente conectada com o propósito que Deus em Si mesmo designou para sua criação”2. Talvez para evitar qualquer má compreensão, os autores da CFW preferiram utilizar a expressão: “foi o Senhor servido” ao invés de fazer qualquer referência a necessidades, o que esboça a idéia de maneira mais excelente.

O fato é que chegamos a um ponto em que devemos considerar que “Se o prazer de Deus é restaurar a criação devastada pelo pecado e recriar o homem à Sua imagem e fazê-lo viver definitivamente na eterna bem-aventurança dos céus, então uma revelação especial é necessária. Para esse propósito a revelação geral é inadequada (...) Na revelação geral (...) o que Deus quer fazer através dEle é incitar o homem a procurá-lo, senti-lo e encontrá-lo (At 17.27), e, não o encontrando, ser indesculpável (Rm 1.20). Mas em Sua revelação especial Deus tem compaixão do homem que está extraviado e que por isso não pode encontrá-lo. Nessa revelação Deus procura o homem e Ele mesmo fala ao homem quem e o que Ele é. Ele não permite que o homem nem deduza e infira de um grupo de fatos quem Deus é. Ele mesmo fala ao homem nessas palavras: ‘Eu sou Deus’”3. É exatamente sobre isso que a CFW passa a tratar, fazendo uma apresentação, agora, da progressão da Revelação Especial de Deus e Sua conclusão nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento.

No curso de Sua Revelação Especial, o Senhor revelou-se “em diversos tempos e diferentes modos”, como está escrito em Hebreus 1.1,2: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho...” Bavinck ensinou a esse respeito que “A primeira expressão, ‘muitas vezes’, significa que a revelação [não] nos foi dada de forma perfeita e completa em um momento, mas através de muitos eventos sucessivos e percorreu um longo período histórico. A segunda expressão, ‘de muitas maneiras’, significa que as várias revelações divinas não foram dadas todas da mesma forma, e sim que, acontecendo em várias épocas e lugares, ela aconteceu também em diversos modos e foi dada em diferentes formas.”4 Podemos perceber estas “diferentes formas” de Deus revelar-se (de maneira “Especial”), no fato de que em algumas partes da Escritura “Ele freqüentemente aparecia a Abraão, a Moisés, ao povo de Israel no Monte Sinai, sobre o tabernáculo e no Santo dos Santos e nas colunas de nuvem e de fogo. Em outros momentos Ele transmite Sua mensagem através de anjos, especialmente através do Anjo do pacto, que traz Seu nome (Ex 23.21). Posteriormente Ele faz uso de outros meios pedagógicos para revelar-se a Israel (Pv 16.33), o Urim e Tumim (Ex 28.30). Algumas vezes Ele fala com uma voz audível, ou Ele mesmo escreve Sua lei nas tábuas do testemunho (Ex 31.18; 25.16).”5 Todas estas foram formas legítimas de Deus se revelar, mas “nestes últimos dias” Deus se utilizou de algo superior a todas as outras formas de revelação, de sorte que chegamos ao ápice da revelação divina. Tendo abandonado o uso de anjos e profetas e, portanto, “cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”, “nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho...”.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (Jo 1.1,14). Jesus, o logos (lógos –Verbo/Palavra) de Deus é a própria Palavra encarda do Pai. Ele é a grande revelação por meio da qual devemos viver, de forma que Toda a Bíblia Sagrada fora escrita com o único objetivo de revelá-lO a nós, para a honra e glória do Seu próprio nome. Quando Cristo veio ao mundo, a revelação plena daquilo que Deus quis que soubéssemos a Seu respeito tornou-se acessível, porém, ao cumprir as exigências da lei em prol de nossa liberdade (da maldição da lei, da escravidão do pecado e da punição eterna), fez-se necessário que Ele voltasse para junto do Pai, todavia, precisávamos viver de acordo com Seus ensinamentos (a grande Revelação Especial de Deus) e por isso Ele nos deixou a promessa: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador... Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.16,26). Surge então o questionamento: como o Consolador tem nos ensinado “todas as coisas” e nos feito “lembrar de tudo” quanto Jesus nos havia dito?

A resposta que a CFW nos dá é que “para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja (...) foi igualmente servido fazê-la escrever toda.” Semelhantemente ao modo como no passado o Espírito Santo inspirou os profetas e os levou a escrever o Antigo Testamento, no N.T. Ele inspirou os Apóstolos para nos deixar Seu testemunho infalível, autoritativo e inerrante. Como Paulo escreveu: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” Ao inspirar a mensagem dos apóstolos, bem como a dos profetas no passado (as quais são o fundamento da igreja – Ef 2.20), o Espírito/Consolador nos deu o único meio autorizado pelo qual podemos nos dirigir em nossa maneira de adorar a Deus. Lembremos que a oração de Jesus foi: “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Mas existem alguns ainda que, embora esteja o Canôn Sagrado fechado e completo, não acreditam ser a Escritura suficiente. Embora ela seja o meio pelo qual somos santificados, “e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.”, muitos em nossos dias insistem em que algo mais é necessário; novas revelações! A respeito destas novas revelações (presentes principalmente no movimento pentecostal/ neopentecostal/ carismático) cito agora a esclarecedora análise do prof. Moisés C. Bezerril:

“A pergunta à qual me disponho a responder é: Até que ponto as revelações pentecostais são verídicas, levando-se em conta que muitas “coisas” acontecem no meio pentecostal? É muito comum nós ouvirmos alguém contar certa história de adivinhação que um pentecostal realizou descobrindo “coisas ocultas” da vida de alguém. A reação mais comum de quem ouve tais histórias é acreditar sem ao menos desconfiar, por terem sido contadas por uma pessoa idosa, ou pastor, ou oficial, afinal “gente que não mente”. Devemos ter em mente que o “profetismo” pentecostal moderno difere do profetismo bíblico por este trata da história da redenção, e aquele trata da vida alheia. O profetismo bíblico fez surgir as Escrituras, o profetismo moderno a fofoca. O profetismo bíblico era autoritativo, o profetismo moderno é interesseiro. O profetismo bíblico era inspirado, o profetismo moderno é humano. O profetismo bíblico estava relacionado com o mistério da encarnação, o profetismo moderno manipula o social. O profetismo deu origem a todo o conhecimento de todo o mistério da encarnação de Cristo, o profetismo moderno deu origem à mais crassa ignorância que se abateu sobre a igreja cristã depois do catolicismo romano.

A VERDADEIRA BASE SOBRE A QUAL SE FUNDAMENTA AS REVELAÇÕES PENTECOSTAIS DOS NOSSOS DIAS.

1) A falsificação

Citarei aqui alguns casos interessantes, mesmo porque os pentecostais consideram válidas “histórias” em pé de igualdade com a Bíblia. Conheci um colega que estudava comigo, e começou a freqüentar a uma igreja pentecostal; esse rapaz teve uma mudança profunda em sua vida moral, e pelo o que pude acompanhar era uma pessoa sincera (no início) que estava em busca da verdade. Esse jovem nunca conseguiu até onde eu sei sua “a segunda bênção”. Ele me contava muito triste que não sabia mais o que fazer para obter seu batismo no Espírito Santo, aquilo que todo mundo recebia, menos ele. Freqüentei muito sua igreja e percebia que até as adúlteras da igreja falavam “línguas”, mas o meu amigo não conseguia. Ele se queixava disso, porque gente suspeita dentro do movimento era “abençoada” e ele não. Acompanhei seu drama viver freqüentando reuniões sete vezes por semana, e até três vezes por dia em certos dias. Como os dias iam passando, e a pressão era muita para que meu colega falasse em “línguas”, ele resolveu falsificar, imitando sons que já tinham dado para decorar e repetir; e assim, meu colega foi reconhecido como batizado pelo Espírito Santo. A realidade que acabei de citar acima é a realidade de milhares e milhares de pentecostais no mundo inteiro. Para eles serem considerados “espirituais” é questão de honra e sobrevivência de sua própria identidade manter uma falsidade a qualquer preço.

2) Histeria psíquica

Tive duas alunas pentecostais muito interessantes. Uma, a mais nova, tinha crises de “línguas” na igreja em que arrancava os cabelos com as mãos durante a sessão glossolálica; a outra falava em línguas à hora que bem quisesse, mas sempre precedida por uma boa crise de choro. Isso acontece com boa parte dos pentecostais.

3) Engano

Conheci duas pessoas que saíram do meio pentecostal, e que me asseguraram de terem passado certo tempo ali enganados, sem nenhum discernimento teológico, mas que abandonaram por perceberem mais tarde que o pentecostalismo é uma mistura explosiva de ignorância com fenomenologia psíquica humana. Algumas pessoas passam pouco tempo no pentecostalismo porque são sinceras e verdadeiras. Aos sinceros nada acontece; muitos, porém, ainda estão enganados achando que sua interpretação é verdadeira, mas seu conhecimento é muito limitado para descobrir a verdade.

4) A tradição

Em sua maioria os pentecostais se comportam como aquela lenda da roupa invisível do rei que somente conseguiam ver quem era sábio. Evidentemente, como ninguém queria ser taxado de ignorante, todos diziam que estavam vendo a roupa invisível do rei, que na verdade estava nu. Os Mórmons afirmam receber um ardor no peito para a confirmação de que Deus falou com eles testificando-lhes ser verdadeira a igreja mórmon. Nunca vi um mórmon dizer que não recebeu esse ardor no peito depois da oração pedindo tal confirmação. O que quero dizer é que essas religiões milagreiras criam tradições muito fortes, das quais ninguém quer se sentir fora delas porque tais tradições são marginalizadoras. Todas essas tradições rotulam, avaliam, e aferem todos os membros daquele determinado grupo. É evidente que para não ficar de fora do grupo dos “espirituais”, a tradição deverá ser mantida a preço de ignorância ou falsificação. A preço de ignorância, refiro-me àqueles anciãos e jovens menos estudados e menos conhecedores da bíblia (até porque eles condenam o estudo da Bíblia, dizendo que “a letra mata”), que sua interpretação é aquilo que eles querem (ou conseguem) ver. Para esses que não sabem que as línguas da Bíblia não são as mesmas do pentecostalismo moderno, eles estão condenados a continuar para sempre no erro. A preço de falsificação, refiro-me aos gritos dos famosos pregadores pentecostais da televisão e do rádio, e outros que repetem monossílabos decorados para fingir que estão falando línguas. Como esses mestres da mentira, muitos seguem imitando sons planejados e aprendidos, os quais já são considerados muito comuns no meio pentecostal como evidência de que o Espírito Santo está agindo no meio deles. Como tais modelos são estranhos às Escrituras, o fenômeno pentecostal é pura criação humana com intenção de enganar as pessoas. Um lingüista conhecido meu fez um estudo científico das línguas faladas no movimento pentecostal e chegou à seguinte conclusão: nenhuma “língua” pentecostal consiste de fato em um idioma; no máximo os sons pentecostais correspondem a monossílabos ou palavras soltas, desprovidas de sintaxe, repetidas muitas vezes, e sem nenhum sentido inteligível. Essa definição de um lingüista apenas confirma que as “línguas” pentecostais nada têm a ver com as línguas do Novo Testamento que eram idiomas (dialektô, At 2:11), sendo por esta razão que o dom de línguas era chamado de variedade de línguas (gene glossais, I Co 12:10). Como eram idiomas, as línguas de Atos e Corinto podiam ser interpretadas (hermeneuô, At 2:11; I Co 12:10). Como as línguas pentecostais modernas não correspondem a idiomas, não há e nunca haverá quem as interprete. Não conheço ninguém que tenha dito entender alguma coisa em uma sessão de línguas pentecostais dos nosso dias; aliás, nem mesmo existe entre eles o dom de interpretação porque não há nada para ser interpretado. A questão é que a ignorância já sacralizou o fenômeno como verdadeiro, e ninguém poderá fugir dele a menos que queira ficar fora da linha dos “espirituais”. Quem tentar mudar tal visão acabará por assinar sua própria certidão de apostasia.

O SUBJETIVISMO E A AUTO-SUGESTÃO: ARMAS PERIGOSAS DO ENGANO PENTECOSTAL

As duas armas mais perigosas dos pentecostais são o subjetivismo e a auto-sujestão. As histórias são contadas já com uma interpretação a priori concebida a partir da educação pentecostal que tiveram; as coisas que acontecem entre eles consistem daquilo que aprendem na tradição, aquilo que eles mesmos ensinam e acreditam; a auto-sugestão é o princípio regulador de seus “dons” espirituais. As profecias pentecostais não têm precisão. Eles não trabalham com datas nem com fatos comprováveis por todos. Nunca vi nenhum pentecostal profetizando coisas vistas por todos. O objeto da profecia pentecostal sempre é o oculto, aquilo que só eu sei, aquilo que pode ter várias interpretações; como tudo não passa de um chute no escuro, eles acabam acertando em algo sugerido por eles mesmos. O profetismo pentecostal nada mais é do que pronunciamentos subjetivos sobre questões inaveriguáveis ao público, dirigidos para um auditório que já foi preparado e está pronto para interpretar aquilo que eles querem ver. Essa é a principal razão por que é muito comum pentecostais abandonarem o pentecostalismo, mas é praticamente nulo um reformado se tornar pentecostal. Nunca um reformado deixou a fé em sola scriptura porque Deus revelou-se a ele, como dizem os pentecostais. As revelações só acontecem em ambiente pentecostal. Por que? Não é porque só eles crêem em Deus ou têm mais fé do que os reformados; e sim porque nada daquilo existe, os pentecostais não sabem o que é a profecia nem a revelação, bem como interpretam os fatos como eles querem ver. Um colega me perguntou como eu explicaria o fato de uma pessoa receber uma revelação de um pecado que só ele sabia. Eu não tinha palavras para o momento; porém mais tarde descobri que o pecado dele era algo que ele pensava que ninguém sabia, quando na verdade muita gente já sabia. A idéia que houve uma revelação de algo da vida de alguém que só ele conhecia é um dos grandes trotes pentecostais para enganar as pessoas. Na verdade o meio pentecostal é o meio onde as pessoas mais investigam a vida alheia para monopolizar o social por meio do religioso. Onde prevalece a mentira, sempre haverá a injustiça. Um outro elemento muito presente nessas revelações certeiras é que os “profetas” ou adivinhos pentecostais trabalham com sugestão a partir do quadro que eles vêem. Se um “profeta” pentecostal percebe uma jovem lá no canto da igreja, meio desanimada, ele dirá: “Minha serva, não desanimes! Estou contigo, e não te deixarei!” Se o “profeta pentecostal” tem pistas de que alguém está mal no casamento, ele dirá: “Filha minha, tenho grande vitória para o teu casamento”. Se uma “profetiza pentecostal” percebe que um rapaz está paquerando sua filha quarentona desejosa de um casamento, ela dirá: “Filho meu, eis que ponho no teu caminho jóia preciosa com quem te casarás.” Se um desses “profetas” percebe que alguém está doente, ansioso, aflito, deprimido, choroso, abatido, desanimado, desempregado, ou em qualquer outra situação crítica, suas profecias sempre serão interpretadas como certeiras por aqueles que receberam a palavra do tal profeta; isso porque já acreditam ser aquilo uma profecia ou revelação verdadeira. Profecia que tem sua origem numa sugestão não pode ser verdadeira. Podemos definir a sugestão humana como a verdadeira natureza do profetismo pentecostal moderno. Portanto, a garantia de ser verdade aquilo que é contado pelo próprio pentecostal é praticamente nula.

O VATICÍNIO É CONDENADO PELA PALAVRA DE DEUS

Como já discutimos a natureza da revelação pentecostal, é hora de perguntar-se se o modelo revelacional pentecostal é algo bíblico. Um único lugar no Novo Testamento onde encontramos uma pessoa revelando a vida dos outros é em Atos 16:16, quando uma mulher possessa por um espírito imundo fazia confirmação do ministério apostólico. Qual a garantia que eu tenho de que as pessoas que estão revelando os segredos alheios não sejam ministros de satanás para operar o erro dentro da igreja e no mundo, já que essa prática foi proibida tanto no Velho e quanto no Novo Testamento? “Porque estas nações que há de possuir ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor, teu Deus, não permitiu tal coisa.” (Dt 18:14) “Visto que andamos por fé, e não pelo que vemos.” II Co 5:7 Algo constatado no pentecostalismo é que as “verdades” pentecostais nunca fazem parte da vida dos mais sinceros; estes vivem depressivos, discriminados, e rechaçados como menos espirituais. Na verdade todos sabem que tudo é uma farsa, mas ir de encontro à tradição pentecostal é grave pecado. Portanto, tomando por base essa minha idéia, chego à conclusão de que, verdadeiramente, os “abençoados” são os mentirosos, e os sinceros são depressivos. ”6

Fica aqui o meu apelo para que “não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro” (Ef 4.14), mas apeguemo-nos fielmente a “palavra da cruz (...) loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (1 Co 1.18)

Sola Scriptura!

Nelson Ávila.

1 MACLEOD, Kenneth D., Grande é o Senhor, Editora Fiel: São Paulo, 2010. (Texto traduzido por Wellington Ferreira; título original: “Great is the Lord”. Publicado originalmente no site da editora The Banner of Thruth. Todos os direitos reservados a Copyright.)

2 BAVINCK, Hermann, Teologia Sistemática, Editora Socep, Santa Bárbara d’Oeste: SP, 2001, p. 65.

3 Idem., p. 65, 70, 71.

4 Ibid., p. 71.

5 Ibid., p. 72.

6 Acessado em 12 de fevereiro de 2011 as 11h38min no endereço eletrônico: http://teologiaselecionada.blogspot.com/search/label/pentecostalismo?updated-max=2009-05-28T12:16:00-07:00&max-results=20 .

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A supremacia da Palavra de Deus e as outras opções...



“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”. (CFW cap.1 seção1)

Essa declaração demonstra o profícuo exame e cautela que os teólogos de Westminster tinham com relação a doutrina das escrituras. É uma lástima saber que nesses últimos tempos essa doutrina tem sido cada vez mais abandonada. A causa de tal negligencia e irreverência para com a autoridade bíblica nem sempre se dá no âmbito da teologia liberal (embora seja extremamente explícita na mesma), mas também acontece de modo sorrateiro nas mais variadas facetas do evangelicalismo moderno. Estudemos então a atualidade desse penoso trabalho puritano para os nossos dias.

“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação...”.

Observamos a perspicácia bíblica quando foram escritas essas palavras! Lembremos sempre que a doutrina das escrituras não está desvinculada de outros temas importantes da teologia cristã como, por exemplo, a doutrina da providencia e a cosmologia. Entendamos também que a contemplação da própria natureza demonstra a sua fluência e importância sobre as nossas considerações nas escrituras sagradas. A assembléia de Westminster já introduz sua defesa da legitimidade à suficiência bíblica com uma afirmação categórica: Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem...

Nessa declaração não foi realizada nenhuma tentativa de se comprovar a existência de uma providencia divina,exatamente porque essa é a premissa básica para se crer na autoridade das escrituras, acreditar em Deus, no sentido mais pleno da palavra. A luz da natureza e as obras da criação também gritam de forma avassaladora aos ouvidos de todos os homens. A natureza, criação e providencia testificam indiscretamente a existência do Deus auto-existente! O mundo encontra-se encharcado do testemunho de Deus. Essa é a revelação geral. A obra prima denunciando a identidade do seu Autor.

Analisando mais profundamente o assunto da revelação geral na visão bíblica, observamos algumas características: 1º.anunciar a gloria de Deus e mostrar que existe um arquiteto para esse universo.(Sl 19.1); 2º. falar do seu poder como Sua divindade (Rm 1.20) 3º. e que para os homens, essa lei foi escrita em seus corações (Rm 2.15). O que aprendemos nessas passagens bíblicas são verdades que confortam ao homem de Deus!

Deus sempre falou aos homens e a revelação geral é prova disso. Porem mesmo com tantas provas irrefutáveis que a bíblia nos dá desses fatos, ainda assim existe uma tremenda falta de reflexão e esclarecimento! A grande maioria dos teólogos neo-ortodoxos e pentecostais se perdem nesse assunto.

Alguns dizem que amam ouvir Deus falar, seja na musica do Raul Seixas ou nas Escrituras Sagradas. Para esses, acreditar que Deus fala-nos especifica, única e exclusivamente (em todo o nosso procedimento cristão, social e relacional) pela bíblia, se trataria de limitar a operação “dialética” do Todo Poderoso. Esse daí é o pessoal da teologia moderna.

E quanto ao outro grupo. São pessoas bem mais tementes ao Senhor, crêem que a bíblia é a palavra de Deus e procuram (na medida do possível) viver uma vida consagrada a Ele. Mas o conceito sobre revelação é de caráter extremamente contraditório. Crêem que Deus de maneira “menos autoritativa”, se revela aos homens sem haver necessariamente a escritura para isso. Questioná-los dizendo que Deus nos guia, transforma, edifica e literalmente fala com seu povo somente através da bíblia, é ser taxado de frio e que servimos a um Deus limitado, que fica calado nos céus comunicando-se aos homens através de um “papel” apenas e que isso seria igual ao deísmo.

É triste a conclusão que ambos os grupos chegam, mas quando não se há uma autoridade proposicional absoluta(a bíblia somente) sendo o juiz sobre os deveres morais do homem, então, deve-se procurar uma outra base de vida (quer sejam experiências ou qualquer outra coisa). Quando declaramos a supremacia da bíblia em todos os ramos de nossa vida, estes grupos que dizem amar e defender essa palavra, se dirigem a nós com palavras mais ou menos assim: Deus fala através da bíblia, mas também... E daí prosseguem seu argumento validando suas experiências e diminuindo cada vez mais a suficiência plena das sagradas escrituras.

Certa vez conversei com um estimado amigo e ele sendo a favor desse conceito de revelação continua, argumentou comigo com a seguinte dedução lógica:

(1) Deus se revela através da sua criação (REVELAÇÃO GERAL)

(2) Os homem também são sua criação (incluindo principalmente o crente)

(3) Logo a criatura humana pode trazer uma revelação da parte de Deus

A clareza de Rm.1 e 2 sobre esse assunto é estonteante. Com muita simplicidade todo o contexto dessa passagem explica-nos que a revelação geral se manifesta para que eles fiquem inescusáveis. Assim, notamos, que a revelação geral não serve de argumento para se trocar a bíblia pelas musicas do Raul Seixas ou para motivar alguma revelação contemporânea no meio da igreja com características proféticas. A revelação geral empurra os homens para a necessidade de se buscar a Deus, que por sua vez, se comunica especificamente na revelação especial. A bíblia não mostra a revelação geral como um fim em si mesma, mas apontando para a especial (a bíblia sagrada).

...por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade...

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas é um fato inegável. Sabemos que Iavé se comunicou no Antigo e Novo Testamento em sonhos, visões, anjos, teofanias e profecias, seu propósito era bem maior do que a satisfação do homem pela a experiência do momento. A finalidade era de mostrar Sua própria vontade revelada. O povo de Deus nos dois períodos da aliança ainda não tinha a bíblia. Era assim, no antigo testamento os sonhos tinham seu caráter profético e também mostravam decisões corretas que precisavam ser tomadas (Gn 37.9), essa comunicação também se dava através de anjos (Gn 24.7), teofanias (Deus aparecendo em forma humana Gn 16.7,9, 10; Ex 3.2) e em profetas que Deus também falou durante muito tempo na historia do povo de Israel.

No novo testamento era da mesma forma e Ágabo, as filhas de Felipe, Judas e Silas, ( At 11.27; 13.1; 15.32; 21.10) exemplificam muito bem essa dinâmica da comunicação divina entre os cristãos do século 1 através da profecia. A igreja precisava ser consolada em meio às muitas perseguições, necessitavam de doutrina firme e apoio vindo de Deus; então como ainda não tinham a bíblia completa, Deus lhes mostrava sua vontade revelada através dos profetas e eles de forma inerrante, comunicavam ao povo.

...tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”.

O autor da epistola aos Hebreus faz a seguinte afirmação: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos, pelos profetas (Hb 1.1 RA). Observamos aqui o autor anunciando esse evento (de Deus falar pelos profetas) como uma coisa de outrora, ou seja, algo que não estava em funcionamento em seus dias. O autor diz que Deus verdadeiramente falou através de profetas e isso muitas vezes (profetas desde Moises até o inicio do período neotestamentário), mas isso ocorreu antigamente (RC). Sim Ele falou de muitas formas (KJA), essas formas (gr. morfe), incluindo até mesmo teofanias, mesmo sendo contemplações maravilhosas de Deus entre os homens, ficaram limitadas apenas ao “outrora” do autor da epistola.

Mas nestes dias falou-nos por meio do filho (NVI). Repare bem a importância da conjunção adversativa em relação ao versículo anterior. A função dessa oração é fazer uma adversidade e um contraste explícito a idéia anterior. É como se o autor de Hebreus estivesse dizendo: Deus falou através de profetas? Sim! Mas agora (nestes últimos dias - no seu tempo é claro!) é diferente, Ele fala de uma outra maneira.

Existem alguns cristãos bem intencionados almejando viver mais intensamente a santidade prometida nas escrituras, e isso é digno de elogio, porém, desejam que esse outrora dessa epístola, seja a norma nesses últimos dias!

Quando mostramos nessa passagem bíblica a importância que esses eventos (profecias, sonhos e revelações) tiveram, mas, cumprindo seu propósito cessaram, rapidamente ouvimos a seguinte afirmação: a bíblia diz que nestes últimos dias nos falou pelo seu filho e não somente através da bíblia! Portanto como esse texto não proíbe profecias, sonhos e visões, então é nos permitido o exercício desses dons.

Meus irmãos, observemos bem a maneira bastante cativante que o autor se inclui nessa comunicação que foi feita a ele próprio dizendo que: nos falou pelo filho(v.2). Sabemos, de acordo com os maiores eruditos do novo testamento, que a epistola de Hebreus foi escrita por volta do ano 64.dc., antes de Jerusalém ser sitiada pelos romanos. O autor dessa epistola também nos mostra que ele era alguém que viveu num período bem mais tardio à época de pentecostes e dos proeminentes apóstolos (cf. 2.3-5) e ao identificá-los nestes termos - dando testemunho juntamente com eles (os apóstolos)- nos faz perceber sua distancia e a falta de intimidade com os apóstolos e discípulos primitivos. Mas se o autor não foi contemporâneo dos apóstolos e nem muito menos de Cristo, então, como assim ele afirma que falou-nos pelo filho?

Logicamente o autor sabia reverentemente o lugar que já no seu tempo o Filho falava. Ou seja, exatamente nas Sagradas Escrituras! O Filho falou-lhe pelos relatos escritos (manuscritos) que ele tinha em sua época. Os evangelhos e algumas cartas de Paulo que circulavam na Ásia e possivelmente em partes de Roma, lhes era o próprio Jesus Cristo comunicado e comunicando-se, o próprio Filho falando diretamente a esse autor da epístola!

Não pretendo prolongar mais este assunto examinando exegeticamente muitos outros textos que comprovariam a certeza desses fatos que estamos afirmando. Farei isso, mas em outra ocasião. Contudo, pretendo deixar uma advertência para aqueles homens e mulheres, meus irmãos em Cristo, pessoas com quem passarei toda a eternidade amando-os na glória eterna, a esse eu me dirijo com uns poucos conselhos:

1.Não continuem insistindo em novas revelações, profecias, sonhos e visões, como se ainda houvesse necessidade do Senhor nos falar dessa maneira. Aquele que adota uma outra autoridade para direcionar sua vida que não é a palavra de Deus, cai em sérios prejuízos com sua alma. Ele falou por profetas somente outrora, mas agora é pela a palavra.

2 ...e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda... Amados, Satanás sabe como somos criativos para interpretarmos os sonhos em suas riquezas de detalhes. O inimigo de nossas almas conhece mais do que eu e você, a autoridade que essa palavra de Deus tem e ele pode, e o faz freqüentemente, embaraçar-nos da maneira que pareça ser mais “espiritual”, “piedosa” e sutil possível. A bíblia é um livro muito perigoso e o diabo sabe muito bem.

3. Os homens mais piedosos da historia (incluindo os pais da igreja, reformadores, puritanos, Edwards, Spurgeon e etc), não andavam por aí ouvindo vozes e tendo visões. E esse é um contraste ao que dizem muitos“prega-dor-es” dos nossos dias. È algo muito serio. Analise a doutrina desses homens e você verá que são teólogos da prosperidade, místicos e desnutridos teologicamente. Uma boa parte desses são hereges e nos melhor das hipóteses sinceros, mas errados.

4. A solenidade desse tema é de nos fazer rever os conceitos e/ou experiências. Como você acha que Deus tratará alguém que nunca leu sua carta de amor toda, mas se entregou aos devaneios do misticismo histérico? Alguém que conhece mais os sonhos e pseudas revelações do que até mesmo a própria vida do profeta Habacuque? Certamente o juízo eterno será seu capataz e o tormento lhe causará muitos êxtases, mas de dor e desespero somente!

5. Aos ministros reformados que um dia juraram fidelidade aos padrões de Westminster no ato da ordenação ao ministério. Do que posso lhe chamar se não de um mentiroso, desonesto e imprudente? Alguém que jura um fato, mas depois quebra o juramento, entrega suas ovelhas ao matadouro do neo-montanismo e depois relega sua vida inteira tentando reinterpretar esta afirmação explicita de que ...tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo, cessou e pronto, o que devo dizer senão que você é alguém que não tem palavra de homem? Reconsidere o seu caminho e volte às antigas veredas. Seja franco consigo mesmo e talvez assim sua congregação o verá novamente como um homem de Deus.

6. Aos ortodoxos. Recomendo aquela admoestação do Senhor que diz ser verdadeiro o amar a Deus de todo ocoração, de toda alma e não somente pelo entendimento. Defendo que um culto aceitável a Deus é aquele que Paulo o chama de racional. Mas não concebo como alguém pode entender as verdades do evangelho e ficar apático a isso. Como um homem pode pregar sobre o fervor do Espírito e parecer que está sentado numiceberg. Falar as verdades do evangelho com muita erudição e nenhum calor na alma. Pregar sobre o inferno sem lágrimas. Acredito que muitos reformados dos nossos dias possuem cérebros inchados e olhos secos. Alguém professa um cristianismo erudito, mas sem vida. Um insulto ao terceiro mandamento (Ex 20)! Alguém que não merece o titulo de pregador do evangelho.

Reflitamos nas palavras de Baxter e sua própria vida de devoção:

"E quanto a mim, eu estou envergonhado por causa do meu cora ção estúpido e negligente, pela vagarosidade e inutilidade da minha exis tência; o Senhor me conhece e sabe, eu estou envergonhado de cada ser mão que eu prego; quando eu penso no fato de que a salvação ou conde nação dos homens podem estar profundamente relacionadas com aqui lo que eu prego, a única coisa que posso fazer é tremer receando que Deus possa me julgar como um barateador das Suas Verdades e das al­mas dos homens, ou que no meu melhor sermão eu tenho sido culpado do sangue de muitos.

Não é sem lágrimas que devemos nos dirigir aos homens sobre um assunto de tão drásticas conseqüências; não deve ser sem o maior cuida do de nossa parte; poderia sim, ser, sem o mais intenso zelo ou sem lágri mas, se nós não fôssemos ser tidos como culpados do pecado que nós tan to reprovamos."

Rogo a Deus para que a vida dos cristãos de nossa época seja de fervor nas palavras do evangelho de Cristo. Que o Senhor nos ajude a avaliarmos nossas experiências e as canalize num caminho correto de Sua palavra bendita. Com muita sinceridade eu suplico ao Onipotente que nos leve pela fé, por aquele caminho de Emaús em que diziam: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?

Que a Sua palavra venha arder em nosso coração e nos constranger em Sua santa presença para fazer-nos amantes do seu precioso conteúdo. Aconselho a você, por amor a sua própria saúde espiritual, que primeiro venha a palavra e depois a experiência. Nunca a ordem inversa!

A expectativa e a reverencia de David Brainerd no seu leito de morte, quando entraram com a bíblia na mão e em delírios de morte gritava, pode nos servir de um bom exemplo:

"Oh! o querido Livro! Breve hei de vê-lo aberto. Os seus mistérios me serão então desvendados!"

Evandro.C.S.Junior

26 de Novembro de 2010

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