segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mas o Que é Comer e Beber Indignamente?


Por Charles Hodge (1797-1878)

Não significa comer e beber com uma consciência de indignidade, pois tal sensação de aflição desértica é uma das condições da comunhão aceitável. Não são todos, mas os conscientemente doentes a quem Cristo veio salvar. Também não é comer com dúvida e receio de não estar devidamente preparado para a mesa do Senhor, pois tais dúvidas, embora sejam evidências de uma fé fraca, indicam um melhor estado de mente do que a indiferença ou a falsa segurança. No Catecismo Maior de nossas Igrejas, em resposta a questão de se alguém que duvida se está em Cristo pode vir a seia do Senhor, ele diz:

“Aquele que duvida se está em Cristo, ou de sua devida preparação para o sacramento da ceia do Senhor, pode ter verdadeiro interesse em Cristo, ainda que não esteja totalmente seguro disso, e de possuí-lo na conta de Deus, se ele estiver devidamente afetado com a apreensão de que o quer, e sinceramente desejar ser achado em Cristo, e apartar-se da iniquidade; em tal caso (porque as promessas são feitas, e este sacramento é conferido, para o alívio, até mesmo, de fracos e duvidosos cristãos) em que ele lamenta por sua incredulidade, e trabalha para ter suas dúvidas resolvidas, e assim fazendo, ele pode e deve vir para a ceia do Senhor, para que seja fortificado”.

Comer ou beber indignamente é, em geral, vir à mesa do Senhor negligentemente, com espírito irreverente, sem a intenção ou desejo de comemorar a morte de Cristo como o sacrifício por nossos pecados, e sem o propósito de cumprir para com as obrigações, ligadas a isto, que temos assumido. A maneira pela qual os Coríntios comiam indignamente era porque tratavam a mesa do Senhor como se fosse a deles próprios; não discernindo entre a ceia do Senhor e uma refeição comum; se ajuntando para satisfazerem sua fome e não para se alimentarem do corpo e do sangue de Cristo; e se recusando a comungar com seus irmãos mais pobres. Este, embora um, não é o único meio pelo qual os homens podem comer e beber indignamente. Tudo o que é necessário observar é que o aviso é diretamente contra os irreverentes e profanos e não contra os tímidos e os duvidosos.

(Tradução: Nelson Ávila; extraído de seu comentário sobre 1 Coríntios 11:27. Título original: “But What is it to Eat and Drink Unworthily?”)

sábado, 6 de novembro de 2010

Os modernos fariseus e a reforma protestante.

“ Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.

(Mt 23.29,30)”

Nesse dia 31 de outubro de 2010 completou-se 493 anos de reforma protestante e muitas memórias saltam as nossas mentes. Palestras neste grande dia são realizadas não somente em todo Brasil, mas em quase todo o mundo, biografias de Lutero, Calvino e Zuinglio são lidas com até mesmo muito saudosismo, as emoções brotam nos corações daqueles que ouvem essa maravilhosa vitória da igreja de Cristo em meio ao caos de profanação da idade média! Em fim, é um dia muito festivo.

Nas mais variadas denominações observo essa mesma atitude de admiração para com esses homens que Deus usou na Reforma Protestante. Não obstante, ainda percebo muitos “pregadores evangélicos de diferentes credos” citando em suas pre-gações, sucessores da reforma como os puritanos, Edwards, Spurgeon e etc. Muitos reformados vêem nisso um fator positivo, todos em unanimidade admiram esses santos homens de Deus; eu porém, abomino tal atitude dessas pessoas.

O quê!? não seria bom um zeloso pentecostal admirar Lutero e fazer referencia a ele em todo momento como um homem santo? Um arminiano convicto ter como base de sua vida cristã, o exemplo de Spurgeon? Que ótimo...não? Não, que péssimo!

Sinto um cheiro muito forte de farisaísmo em todas essas atitudes, ainda que seja uma hipocrisia “inconsciente”, mesmo assim é uma hipocrisia.

Sinceramente não vejo motivos para um pentecostal ser um celebrante da reforma protestante, a reforma trouxe o grito da Sola Scriptura, mas o pentecostal é alguém que – diferentemente dos reformadores – acredita que sempre há novas revelações fora das escrituras. Diminuem a qualidade de suas vidas cristãs para se entregarem ao “misticismo revelacional conteporaneísta”, ajustam as escrituras (revelação maior) à suas profecias, sonhos e visões (revelação menor); trazendo assim uma confusão para o corpo de Cristo. Uma palavra de Deus (Escrituras Sagradas) que é maior do que a “outra palavra de Deus(sonhos, profecias e revelações)”. O brado dos reformadores era Sola Scriptura, não somente para termos doutrinários, mas para toda o direcionamento da vida cristã também, sem tradições do romanismo, sem novas revelações(do anabatismo da época), somente a escritura.

Por que arminianos tem tamanha reverencia por Lutero se não compartilham de suas idéias sobre a salvação dos homens. Tenho certeza que se alguém estudasse a fundo a soteriologia de Lutero não o admirariam tanto! Mas alguém poderia replicar: nós admiramos sua pratica e não sua doutrina.

Quanta falácia! Calvino, Lutero, Wyclif, Huss, Knox e muitos outros, eram apenas a pratica personificada daquilo que professavam crer. Eles, diferentemente de muitos hoje em dia, não viam esse binômio de doutrina e prática.

Knox viveu até o ultimo segundo de sua perseguida vida, de forma exemplar, exatamente pela visão da glória de Deus que tinha em seu coração, nas suas veias escorriam sangue que ansiava ser derramado até a ultima gota para o seu Deus soberano e predestinador de todas as coisas. Knox era calvinista.

Com o altíssimo senso de perseverança cristã que Martinho Lutero possuía, não podemos concebê-lo cantandoCastelo Forte é o nosso Deus, e imaginando ao mesmo tempo, que poderia a qualquer momento “perder” suasalvação! Novamente repito: acredito que se até mesmo muitos calvinistas que se dizem moderados, se lessem mais profundamente suas obras, resguardariam precipitada admiração. Lutero tinha uma sensibilidade extrema a doutrina da soberania de Deus:

Por que Deus não cessa de fazer pressão que, certa mente, produzirá maus resultados? Isso é o mesmo que pedir a Deus que deixe de ser Deus. Não podemos, realmente, imaginar que Deus deixará de fazer o bem, somente porque os ímpios sempre reagirão adversamente.

Por que Deus não altera a vontade perversa de pessoas como o Faraó? Essa questão toca na vontade secreta de Deus, cujos caminhos são inescrutáveis (Rm 11.33). Se alguém que é orientado por sua razão humana, fica ofendido por causa disso, que assim seja. As queixas nada mudarão, e os eleitos de Deus permanecerão inabaláveis. Poderíamos também perguntar por que Deus deixou que Adão caísse! Não devemos tentar estabelecer regras para Deus. Aquilo que Deus faz, não é correto porque o aprovamos, mas porque Deus assim o desejo. (Nascido escravo, Editora Fiel).

Semelhante ao evento ocorrido com Cristo e os fariseus, essas pessoas se recordam desses homens e dizem: Se existíssemos no tempo de nossos pais! Então visitam seus túmulos, lêem suas biografias e suspiram vontades de terem vivido nessa mesma época! Ledo engano, se tais homens vivessem no tempo de Calvino, Lutero e Tyndale, dariam as mãos ao Catolicismo para se oporem a tudo aquilo que ameaçasse sua autonomia apostata, que popularmente chamam de livre-arbítrio. Juntariam-se ao humanista Erasmo e não ao reformador Lutero. Admiram esses homens e desprezam suas mensagens, quanta contradição! A única espécie de profetas que essa massa realmente gosta, é a dos profetas mortos, não lhes incomoda.

O que encontramos então 493 anos depois? Um caos eclesiológico! Doutrinas tão santas, deturpadas de maneira violenta. Encontramos uma igreja com vários distúrbios em seus cultos, louvores carregados de humanismo e sem nenhum versículo bíblico, até mesmo denominações históricas que deveriam zelar por esses princípios, são as primeiras a relaxarem e se entregarem a sua própria indolência. Uma crença pagã sobre asoberania de Deus permeia os best-sellers que os nossos jovens lêem, o misticismo pentecostal no mais alto grau, a praga contagiosa da lixologia da prosperidade(não posso chamar isso de teologia), o pragmatismo em todas as facetas da igreja moderna, a ditadura dos teólogos libertinos e tolerantes ao extremo afogando os frustrados com a religião e etc e etc e milhares desses etc.

Ao contrario do que dizia o sermão de Edwards, a nossa geração pós-moderna é aquela que possui um Deus nas mãos de pecadores irados. Um deus destronado, despido de sua gloria eterna, um deus que está preso a palavra do “apóstolo” ou da “bispa”, o conceito mais intenso de blasfêmia é esse que cultua a nossa sociedade.

A soli deo gloria se tornou uma palavra estranha para os pastores do nosso triste século, o deus arminiano é aquele que impera nos púlpitos. O calvinismo parece estranho para qualquer um nos dias de hoje, e soa para os desavisados como até mesmo uma heresia(embora muitas vezes não saibam o que isso significa).

A pergunta pertinente depois desse tamanho afastamento é: por que esse povo ainda comemora o dia da Reforma?

Neo-farisaísmo, só pode ser...



Evandro C.S Junior, 01 de Novembro de 2010.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

As Vantagens de Agradar a Deus ao Invés dos Homens

Por Richard Baxter (1615 - 1691)


1. Se você buscar primeiro agradar a Deus e satisfazer-se nisto, você terá um apenas a quem agradar ao invés de multidões; e uma multidão de mestres é mais difícil de agradar do que um só.

2. E este é aquele que não põe sobre você algo irracional, seja pela quantidade ou qualidade.

3. E é aquele que é perfeitamente sábio e bom, não sujeito a interpretar mal seu caso e suas ações.

4. E que é o mais santo, que não se agrada na iniquidade ou na desonestidade.

5. E ele é o mais justo e imparcial, que não faz acepção de pessoas (At 10.34).

6. E ele é o competente juiz, que tem aptidão e autoridade, e está familiarizado com os vossos corações, e todas as circunstancias e motivos de suas ações.

7. E ele é aquele que está em perfeito acordo consigo mesmo, e não coloca você sob contradições ou impossibilidades.

8. E ele é constante e imutável, e não está satisfeito com uma coisa hoje e outra oposta amanhã; nem com uma pessoa este ano, da qual se cansará no próximo.

9. E ele é misericordioso, e não exige que você se machuque para agradá-lo, ou melhor, ele não se satisfaz com algo teu, mas com o que promove a tua felicidade, e não se desagrada com nada além do que te causa mal ou a outros, como um pai que fica descontente com suas crianças quando elas se sujam ou se ferem.

10. Ele é gentil, porém justo, ao censurar-te; julgando verdadeiramente, mas não com rigor injusto, nem fazendo com que suas ações pareçam piores do que são.

11. Ele é aquele que não está sujeito as paixões dos homens, as quais cegam suas mentes, e os conduz a injustiça.

12. Ele não será persuadido pelos contos dos fofoqueiros, murmuradores, ou falsos acusadores, nem pode ser pervertido por qualquer informação falsa.

(tradução: Nelson Ávila; extraído do sermão: "Directions Against Inordinate Man-pleasing"; Direction XI: "The Advantages of Pleasing God Rather than Men".)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

“DEIXEI DE SER EVANGÉLICO”


“Deixei de ser evangélico” foi o título de uma postagem que li e me deixou extremamente chocado. Este artigo foi escrito por um dos componentes do movimento “Caminho da Graça”, e, a meu ver, não passa de mais um vômito pútrido produzido por um liberal, com o intuito de manchar as alvas vestes da Noiva do Cordeiro, mas, ainda assim, não pude deixar de sentir tristeza ao ler.

“Deixar de ser evangélico não é negar a fé, antes é afirmá-la”. Não entendi o que o autor quis dizer com tal declaração. Que fé ele deseja afirmar, já que o mesmo declara: “Não faço da minha teologia a minha fé”? Isto não seria uma imensa contradição? Aquilo que ele crê (sua fé) não é baseado no conhecimento que possui de Deus (sua teologia). É baseado no que então? Na própria fé? É fé na fé, como fazem os teólogos da prosperidade?

“Não creio na doutrina fundamentalista da inerrância das Escrituras”, é outra de suas declarações que carece de coerência, pois, somente baseado na absoluta veracidade das Escrituras é que se pode lançar bases para o credo particular que ele apresenta: “Eu creio no Deus de Amor revelado no Filho e na Salvação dos homens realizada Nele. Eu creio no poder do Espírito Santo que distribui dons a fim que Sua Igreja seja edificada. Eu creio na Ressurreição e na vida Eterna”. Sobre que outra estrutura ele pode formular tal credo senão na inerrância do testemunho bíblico? É nas Escrituras que ele encontra o “Deus de Amor revelado no Filho” e a “Salvação dos homens realizada Nele”. Se estas Escrituras estiverem repletas de erros, seu credo pode do mesmo modo estar completamente ERRADO. A Escritura é a autoridade para a sustentação deste credo como verdadeiro. Este “liberal-peregrino-do-Caminho-da-des-Graça” diz crer “no poder do Espírito Santo que distribui dons a fim que Sua Igreja seja edificada”, mas não é capaz de crer que este mesmo Espírito Santo seja poderoso o suficiente para edificar a Sua igreja através de um eficaz e INERRANTE testemunho das verdades que Deus quis revelar aos homens. Falar em línguas, profetizar e demais manifestações sobrenaturais incríveis, parecem (segundo sua concepção dá a entender: “distribui dons a fim que Sua Igreja seja edificada”), perfeitamente possíveis ao Espírito, mas revelar inerrantemente a Verdade de Deus por meio das Escrituras já seria ir longe demais; seria ir além do poder do Espírito... Crer na “Ressurreição e na vida Eterna” é uma coisa, na inerrância é outra bem diferente...

Sobre a “Salvação dos homens”, ele também apresenta uma perspectiva particular: “Não acredito na condenação por causa da informação. Não creio que a salvação depende da informação”. O que ele quer dizer com isso? Provavelmente o antigo papo liberal do universalismo, ou uma sincera preocupação de colocar no céu aqueles que nunca ouviram falar de Jesus, mas para que evangelizar então? É melhor que permaneçam no seu estado de ignorância e inocência, desta maneira terão a desculpa diante do Trono do Julgamento: “Eu não sabia!”. Mas Deus “de maneira alguma terá o culpado por inocente” (Ex 34.7; Num 5:28; Nau 1.3) e “todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rom 3.12), de sorte que tal argumento de nada valerá diante de Deus, “pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis”(Rom 1.20), pois, devido ao pecado [sua condição é de “mortos em ...delitos e pecados” (Ef 2.1)] encontram-se incapazes de responder a revelação geral de Deus que está diante dos seus olhos. Toda a esperança de salvação do homem encontra-se portanto na Graça de Deus: “Pela graça sois salvo, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). Pela Graça e mediante a Fé, de modo que para ser salvo o homem precisa crer. “Mas como crerão naquele de quem não ouviram falar?” (Rom 10:14). Como dizer que a salvação não depende da informação se é preciso ter a informação para saber no que crer? “Como crerão naquele de quem não ouviram falar?”. A salvação vem pela Graça em co-dependência da fé que é gerada por Deus através da informação contida na Palavra. Desprezar a informação é desprezar o próprio Deus que a deu como canal de Sua Graça.

“Quero me deliciar com a Palavra esteja ela na bíblia ou nas músicas do Raul Seixas”. O que seria isso? Um convite à louvarmos a Deus cantando “Viva a sociedade alternativa... Faz o que tu queres pois é tudo da Lei! Da Lei! ...O número seiscentos e sessenta e seis chama-se Aleister Crowley1”? Se isto não é apostasia, não sei mais o que apostasia significa! “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6:24; Lc 16:13). É possível por esta frase compreender perfeitamente o tipo de indivíduo que a escreveu; é como o homem de Hebreus 6: “...Os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério” (Hb 6.4-6). Como disse João: “Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco” (1 Jo 2.19). Que o estado deste ainda não tenha chegado ao ponto da impossibilidade de renovação “para arrependimento” (Hb 6.6) e que o mesmo possa voltar ao “meio dos nossos” (1 Jo 2.19), pois do contrário, “Aquele dia é dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas” (Sof 1:15).

O liberalismo é uma praga que se alimenta da fé das pessoas e não se dá por satisfeito enquanto não suga até a última gota de temor. O liberalismo não liberta, pelo contrário, aprisiona o homem num sistema teológico sem Deus onde a deusa razão é quem governa e a luz no fim do túnel é um clarão avermelhado produzido pelas chamas do inferno. O que este apóstata prega é irracionalismo; anti-intelectualismo travestido de respeitabilidade acadêmica.

“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser;” (Rom 8.7).

“Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizadecontra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tia 4.4).

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Cor 2.14).

O mais triste nessa história é que o tal que-deixou-de-ser-evangélico é professor de teologia em um seminário ligado a Convenção Batista e em um outro de linha Pentecostal. Imagine o que estes jovens e imaturos (biblicamente) alunos de teologia estão aprendendo com este professor. Num dos comentários a esta postagem, uma aluna do seminário Pentecostal dizia: “comecei faz alguns meses [no seminário], mas já ouvi muitas coisas boas sobre você. Só lamento de não ter tido aula com você... Queria te pedir algo: quando eu tiver dúvida de algum assunto no seminário eu posso pedir sua ajuda?”. Pense em que bela ajuda pode oferecer um lobo a uma ovelhinha desavisada... A Chapeuzinho Vermelho que o diga...

“Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” (2 Pe 1.10).

Sola Scriptura!

Nelson Ávila, 15 de outubro de 2010.

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OBS: Para ler o artigo aqui referido clique: http://ivofernandes.blogspot.com/2009/07/deixei-de-ser-evangelico_14.html?showComment=1269881431994#c2803762431256487426 .

1 Aleister Crowley (12 de Outubro de 1875 1 de Dezembro de 1947), nascido Edward Alexander Crowley, foi um influenteocultista britânico, responsável pela fundação da doutrina Thelema. Ele foi um membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada, e também o co-fundador da AA e eventualmente um líder da Ordo Templi Orientis (O.T.O.). Ele é conhecido hoje em dia por seus escritos sobre magia, especialmente o Livro da Lei, o texto sagrado e central da Thelema, apesar de ter escrito sobre outros assuntos esotéricos como magia cerimonial e a cabala.

Crowley também era um hedonista, bissexual, usuário recreacional de drogas, e crítico social. Em muita de suas façanhas ele "iria contra os valores morais e religiosos do seu tempo", defendendo o libertarianismo baseado em sua regra de "Faz o que tu queres".

O cantor e compositor brasileiro Raul Seixas foi um grande divulgador e seguidor da obra de Aleister Crowley. Suas principais canções sobre Crowley e a Thelema são "Sociedade Alternativa", "Novo Aeon" e "Loteria de Babilônia".

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A lei de Deus: um prazer de poucos!


Você se sente frustrado quando uma lei o restringe a não fazer algo que gostaria de realizar? O que pode ser feito então contra essa proibição e regulamentação estabelecida; temos então três opções: quebrar a regulamentação (lei) para nos deleitarmos em nossos prazeres sem nos preocuparmos com futuras conseqüências, relativizar a atualidade

dessa lei e considerá-la como caduca, ou mais suavemente, afirmar “que cumprimos de uma outra forma” e não daquela maneira explicitamente ali representada.

Se isso ocorre em casos comuns da jurisprudência civil, quanto mais ocorrerá com proposições bíblicas.

Deus nos deu dez mandamentos (Ex 20), nos ordenou para que viéssemos observá-los com perpetuidade, mas o homem não os aceita. O homem não cumpre esses mandamentos, por que sua natureza odeia o doador da lei, despreza os pontos ali exigidos e ignora as advertências das conseqüências à quebra desses preceitos.

Mas qual a relação entre lei e graça? O que é lei, o que é graça? E o cristão está relacionado com qual de ambas?

Esse é um tema muito abordado em toda a historia da igreja cristã. A tensão entre esses dois temas se dá pela transição da antiga aliança para a nova. As respostas nem sempre são satisfatórias, mas as mais prevalecentes estão em uso em nossos púlpitos.

O neonomismo por séculos enraizou-se no pensamento teológico de alguns grupos e durante a igreja primitiva representados pelos judaizantes, ganhou larga aceitação.

De acordo com esse ponto de vista, a lei(não as obras) tem uma função importantíssima de auxilio a graça. Geralmente nos círculos neonomistas há uma ênfase exagerada da lei em detrimento da graça, na práxis do neonomismo vemos muitas atitudes legalistas no esforço de cumprir a lei, como moeda de se obter a benevolência e a não-punição divina. Como é de se esperar existem exageros até mesmo na alimentação* de muitos neonomistas.

O segundo grupo que observamos com demasiada freqüência no seio da igreja, são aqueles que a teologia chama de antinomistas.

O antinomismo é tão velho na historia igreja quanto o neonomismo, foi combatido com muita veemência por Paulo, João, Judas e Pedro. Foi(e continua sendo) uma heresia bastante perniciosa, isso pelo fato de considerarem a graça como substituta da lei, interpretam sempre a lei como algo prejudicial ou no mínimo, que “foi bom” até certo período na historia da revelação, mas que agora, não existe mais nenhuma relação entre o cristão e a lei. Há dois tipos de antinomia: a doutrinal e a pratica., embora seja necessário afirmar que nem todo antinomista doutrinário é um antinomista prático, é correto considerar (e a historia confirma) que todo (exceto aqueles que consideram as revelações proposicionais,a bíblia, algo fútil) antinomista pratico é um antinomista doutrinário e isso ocorre por que sempre procuram argumentos antinomianos** para fundamentar seus atos espúrios.

O QUE A BIBLIA DIZ?

È importante considerarmos o assunto sobre a lei como algo que merece ser discutido aqui exaustivamente, mas seremos apenas objetivos e clarificados nesse ponto, e em outra oportunidade nos aprofundaremos detalhadamente.

No antigo testamento aprouve o Senhor entregar aos israelitas uma norma para sua conduta diária para com os homens e com Deus. Essa era a lei divina. Perfeita, santa e justa

(Sl 19.7). O povo judeu recebeu a lei em três maneiras distintas: Lei civil, cerimonial e moral. Esse era o regulamento para a perfeita obediência. Em caso contrario, seria maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo (Dt 27.26).

As leis civis tinham o propósito de estabelecer a ordem natural da sociedade judaica. Como um estado teocrático, Israel recebeu diretamente de Deus o seu código civil e penal. Que bela legislação, e quão majestoso Legislador!

Em Ex 21, observamos uma serie de mandamentos para trazer ordem a sociedade

Veterotestamentária, as sanções à quebra da lei incluíam: pena capital ao infrator (v.12; 22.18-20; ) e ressarcimento em relação a as suas propriedades (Cap. 22). Essa lei foi abolida, já que sua característica era estritamente local e temporal.

As leis cerimoniais eram a parte vital do culto judaico a Deus. Nessa lei a observância era exigida como uma forma de separá-los daqueles demais povos pagãos. Era uma identidade peculiar daquela nação em comparação as outras. O novo testamento mostra que nessa lei existia um elemento apontando para o messias que havia de vir, sombras e tipos que brevemente seriam abolidos (Cl 2.16,17). Nesse aspecto, a lei cerimonial era praticada através de festas especificas, sacrifícios, circuncisão, abstinência de alimentos impuros, páscoa e muitos outros preceitos detalhados. Essa lei é aquela que o NT descreve algumas vezes como; leis dos mandamentos, que consistiam em ordenanças, essa sim, é a lei que foi desfeita e abolida (Ef 2.11,15), conforme lemos em toda carta de Gálatas e Romanos. O testemunho firme do novo testamento confirma que o cristão não está debaixo da lei cerimonial, não está debaixo da lei no sentido de que a maldição da lei não o atinge mais, conforme todo o contexto no capitulo 6 de Romanos, incluindo o próprio versículo 14.

Não há mais condenação para os eleitos de Deus. É Deus quem os justifica!

A lei moral

Sempre presenciamos uma negligencia completa em relação a lei de Deus. Os cristãos contemporâneos desejam saber “muitas coisas”, menos os preceitos sagrados. A imprudência com a vida cristã em muitos evangélicos dos nossos dias é nauseante. Com muita dificuldade e insegurança, um cristão veterano hoje em dia pode falar prontamente os dez mandamentos, e se o interrogarmos ou pedirmos o significado de cada um desses mandamentos, sua resposta será: “estamos no tempo da graça, não estamos na época da lei, não somos adventistas do sétimo dia, para então guardarmos a lei, estamos livre da lei”.

Esse é o engano mais sutil e popular que envenena nossas igrejas hoje em dia. A lei é a regra que Deus impôs ao homem. Vivermos sem essa regra, significa que viveremos des-regradamente. Não estarmos sob uma norma ética (lei) instituída por Deus, significa que somos noéticos, não estarmos mais sobre a lei divina, implica ilegalidade, e não em graça(como muitos pensam). Dizermos que estamos sob a graça e não sentirmos prazer na lei de Deus; atrai juízo, condenação e desprezo divino.

A lei moral resumidamente compreendida nos dez mandamentos, é o padrão moral, ético e espiritual que Deus exige do homem. E isso observamos com muita clareza no Antigo Testamento. Mas e o Novo Testamento, o que diz sobre essas coisas? Enfocaremos o que diz o N.T sobre a lei, já que esse é o ponto menos observado pelos lideres modernos.

Os fariseus eram a referencia religiosa de hipocrisia e insinceridade. Chamar alguém de fariseu hoje em dia, é bem diferente do que se esperava a dois mil anos atrás. Guardavam a o ato exterior e a aparência da lei, mas a sua essência era esquecida e negligenciada. Eis o motivo por que muitos hoje temem falar sobre a lei, possuem medo de se parecerem com esses “mestres”, e acabam adotando um posicionamento antibiblico em relação a lei, sem ao menos examinar profundamente essas questões, se tornam irracionais(teologicamente falando) naquilo que professam crer.

Paulo diz que a lei é boa (Rm 7.16), mas em outros momentos observamos ele dizendo que a lei traz a morte. Mas a lei é boa ou não? Sim a lei é boa, mas somente para os crentes em cristo; para os incrédulos ela é como um chicote que açoita suas consciências cauterizadas.

Quem pode dizer que a lei é boa senão o regenerado? Somente um santo pode dizer que tenho prazer nos teus mandamentos; eu os amo (Sl 119. 47 NVI).

È dito com muita freqüência, que, Cristo aboliu a lei. Eu responderia que sim, se, não tivesse uma bíblia na mão. Ele mesmo diz: Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Para respaldar o falso ensino de uma lei moral abolida por Cristo, alega-se então três opções (des-CULPAS, sofismas) diante desse texto, vejamos o que dizem:

1º Há um problema no manuscrito tal... e assim o blasfemo(da alta critica geralmente) prossegue sua argumentação.

2º Jesus disse que cumpriu, de uma vez por todas, cumpriu a lei para que o crente não precisasse mais cumprir.

3º Jesus “santamente” mentiu (mas claramente: “pecou por uma boa causa”), pois ele uma vez quebrou o sábado, e não apedrejou, noutra vez, aquela mulher flagrada em adultério cuja a lei ordenara para que assim fizesse.

Sinto-me até enojado em digitar tal argumento profano. A ignorância não nos isenta dos nossos pecados em nossas pronunciações descabidas e descuidadas, o fato de alguém ser um péssimo interprete das escrituras, não o desculpará de suas distorções no dia do Juízo.

Se a bíblia diz que Cristo foi simplesmente um cumpridor da lei, então Ele apenas cumpriu a lei. Somente, simplesmente, claramente, é isso o que a bíblia diz! Seria desnecessário( e contraditório), Jesus dizer que o Seu cumprir da lei, é igual a abolição da lei. Ele mesmo explica que; não vim abolir a lei (Mt 5.17 NVI). Se o seu cumprir não era igual a acabar com a lei (NTLH), então a lei moral, conforme mostra todo o contexto do sermão do monte; sobre adultério, assassinato, tomar o nome de Deus em vão através de falsos juramentos, tudo isso ainda é requisito para regular e julgar, não somente a vida de irregenerados, mas de cristãos também.

Quando Jesus resumiu a lei moral em dois mandamentos, Ele não estava abolindo a coisa ali resumida por uma versão mais fácil ou mais branda de cumprir. Ele resumiu em dois os dez mandamentos, e não os aboliu. Amar a Deus sobre todas as coisas, equivale a guardar do primeiro ao quarto mandamento(nosso dever com Deus, nosso relacionamento vertical); amar o próximo como a ti mesmo, é o mesmo que observar os outros seis mandamentos(nosso dever com o próximo, nosso relacinamento horizontal). Os apóstolos sempre faziam referencia aos cristãos, tomando como ponto de partida a lei moral(Tg 2.9;

1 Jo 2.3) ligando e estabelecendo a obrigatoriedade à lei, a todos os crentes. Não adianta sofismar, dizendo que o Espírito “dirigirá espontaneamente” aqueles que, já estando na “graça” a não precisarem se esmerar na lei, e mesmo assim serão santos, mesmo negligenciando a lei que é santa, justa e boa (como dizia o apostolo Paulo) como padrão de moralidade em suas vidas. Não consigo conceber, alguem que é santanto e ao mesmo tempo despreza a lei santa!

O Espírito Santo mostra aos cristãos, verdades proposicionais e verificáveis que precisam ser obedecidas, não subjetivamente, como faziam(e ainda fazem) alguns antinomistas gnosticos, místicos medievais e semi-liberais, mas, objetivamente, como os homens mais piedosos da historia, e entre esses, aqueles que mais desenvolveram na pratica ( e no papel) a doutrina da graça.

È um absurdo, mas é verdade. Se um cristão não está debaixo da lei, então ele não peca mais; por que o pecado é transgressão da lei.

É uma tragédia vermos, a santa carta aos Gálatas ser tão cuidadosamente deturpada, as advertências de Tiago aos cristãos, utilizando-se da lei, ser tão popularmente esquecida, e cair no desprezo. E tantos que se dizem piedosos nesse estranho caminho da graça, cospem na verdadeira graça e anulam as palavras de João:

"Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade." (I João 2 : 4)

Ninguém se esquiva daquilo que Deus estabeleceu. Para os cristãos ela é um padrão de um viver santo; para os incrédulos, um padrão amargo e intransigente de conduta expirada. Descansarei no que dizia as antigas veredas a esse respeito:

Aquele que prega a cruz de verdade e com boa-fé não se opõe à pregação da lei.

(W. G. T. Shedd)

A lei remete-nos ao evangelho, para que possamos ser justificados; o evangelho remete-nos à lei novamente para que sejamos informados de nossos deveres, estando justificados.

(Samuel Bolton)

Quando a lei de Deus é escrita em nosso coração, nossos deveres são nossos prazeres.

(Matthew Henry)

Havia graça no reinado da lei e há lei no reinado da graça.

(Charles Caldwell Ryrie)

A agulha da lei precisa vir antes da linha do evangelho.

(C. H. Spurgeon)

* Uma boa parte dessa escola de pensamento ainda realiza dietas alimentares e exercem a guarda do shabath (confundindo assim a continuidade e descontinuidade da lei, a revelação progressiva e a mudança de tal dia que outrora era estritamente cerimonial) vivendo de uma forma estritamente judaica, embora se considerem cristãos, é o caso dos adventistas do sétimo dia, alguns batistas do sétimo e de muitos judeus messiânicos.

** Algo que é dado exagerada ênfase na agenda antinomiana é o amor e a graça(e todos os versículos que acompanham esse tema), envolvem-se em campanhas a favor do aborto, causas do direito civil e matrimonial de gays e lésbicas, se manifestam contra a pena capital e tudo aquilo que venha a ferir sua agenda humanista. Falam com bastante freqüência, de se receber sem nenhuma confrontação de arrependimento, grupos homossexuais e tantos outros que vivem de forma desregrada(Alguns antinomistas mais influentes não se posicionam de forma rigorosa e veemente contra esses movimentos, “aqui e acolá” fazem pronunciamentos que favorece a uns e as vezes a outros, um evangelho que nem fere com o arrependimento, nem cura com o remédio de uma vida santa). Se esquecem daquelas passagens que Jesus dizia sempre depois do perdão: Vai e não peques mais.

1. A pena de morte foi incluída na lei civil, mas os seu caráter retribuitivo não findou juntamente com toda lei judicial. A pena capital foi estabelecida antes mesmo de ser trazida a Moisés no Livro de Êxodo(cf .Gn 9.6). O principio da pena capital estava intrinsecamente gravado no coração de Caim (Gn.5.14), Deus(o legislador maior, Senhor da vida e da morte) o absorveu pois ainda não havia instituído as leis judiciais propicias para a execução legal.

A lei civil foi expirada, mas ainda hoje, permanece esse principio de ressarcimento aos danos materiais cometidos contra o próximo e o seu caráter retribuitivo (não vingança pessoal) a vida humana, em que no caso, o estado é quem julgará e efetuará legalmente a referida sentença, tal como acontecia em Israel. Não era algo simplesmente restrito a lei civil, era, e é, algo atrelado diretamente do caráter de Deus. Um principio de valor moral e não apenas local e/ou temporário. É completamente errônea a idéia humanista, de que a pena de morte não pode ser mais executada. Ao contrario do que muitos pensam, a abolição da pena de morte é uma desvalorização da vida. Como acertadamente diz R.C Sproul:

A pena de morte é instituída muito cedo no Antigo Testamento – antes de Moises, antes do Sinai, antes dos Dez Mandamentos, desde os dias de Noé, quando Deus disse: “Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado”. Isso não é uma predição. Na estrutura da linguagem há um imperativo: é uma ordem. E a razão é dada: porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9.6). Em outras palavras, a Biblia diz que a vida humana é tão sagrada, tão preciosa, tão santa que, se com premeditação você destrói injustificadamente outro ser humano, você, por isso mesmo, perde seu direito à vida. Deus não apenas permite a execução de assassinos, ele a ordena. (Boa Pergunta, R. C. Sproul, Cultura Cristã, pág 299-300)

Evandro C. S. Junior, 7 de Setembro de 2010.

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