segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Deus, em Cristo, Reconciliando o Mundo


RPM, Volume 12, Número 40, De 03 a 09 de Outubro, 2010

Deus, em Cristo,

Reconciliando o Mundo

Robert Murray M'Cheyne

“Pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.” 2 Coríntios 5: 19

Nestas palavras temos uma epítome, ou curta descrição, do ministério evangélico.

1. Observe a maneira pela qual Deus se aproxima de pecadores no evangelho: “Deus estava em Cristo.” Se Deus tivesse vindo a nós sem um Mediador, teria sido para destruir. Em Sua natureza imutável Ele é santo, repudia o pecado e dissipa o pecado. Esta é a glória de Deus, Sua imagem moral, sem a qual Ele não poderia ser Jehovah. Tão certo quanto o fogo devora a árvore por sua natureza física, Deus deve destruir pecadores por Sua gloriosa natureza moral. No entanto está escrito, “Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso; isto será a porção do seu copo. Porque o Senhor é justo, e ama a justiça” (Salmo 11:6-7)1. E ainda, “Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal, e que não podes contemplar a perversidade” (Habacuque 1:13)2. E, “nós conhecemos aquele que disse, a Vingança pertence a mim, Eu recompensarei, disse o Senhor. E outra vez, o Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo. Pois nosso Deus é um fogo consumidor” (Hebreus 10:30-31; 12:29)3. Se Deus tivesse se aproximado de nós sem que Sua justiça tivesse sido satisfeita no sangue e obediência do Senhor Jesus, Sua justiça deveria ter sido despedaçada sobre nós e sua satisfação buscada em nosso castigo eterno. Glória a Deus nas alturas, por Deus não ter vindo a nós sem Cristo, por não ter vindo sobre nossa condição nua, culpada, indefesa, sem um abrigo para nossa alma cansada e sobrecarregada. Ele coloca o Mediador entre Ele e nós: “Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos” (I Timóteo 2:5-6). “Deus estava em Cristo.” Cristo é o ponto de encontro de um Deus santo, e pecadores merecedores do inferno: “Tendo, pois, ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus, aproximemo-nos.”4

Quando o sumo sacerdote entrava no véu, no dia da expiação, carregava consigo uma bacia cheia com o sangue de um novilho, morto como uma expiação por si e sua casa. Ele molhava o dedo no sangue e o aspergia sobre o propiciatório, e perante o propiciatório sete vezes. Ele então levava outra bacia cheia com o sangue de um bode, morto pelos pecados do povo. Molhando seu dedo no sangue, ele o aspergia sobre o propiciatório, e perante o propiciatório5. O propiciatório era de ouro puro, o chão era coberto com ouro, ainda assim não temia sujá-lo. O propiciatório e o pavimento de ouro eram molhados com sangue. Seus pés se postavam sobre o sangue. Aquele sangue representava o sangue de Cristo. E o sumo sacerdote postado sobre o sangue aspergido representava o único caminho pelo qual um pecador poderia vir ao santo Jehovah. Deus nos encontra em Cristo. Oh pecador! Vieste para Deus em Cristo, entraste no santuário pelo sangue de Jesus? Se não, continuas sem perdão, alguém prestes a perecer. Alguns tem noções muito fracas sobre a conversão. Eles parecem pensar que chorar durante um sermão, orar com um sentimento de fervor, emendar um pouco a vida, é a verdadeira conversão – considere que isto é se voltar para Deus em Cristo: “Dos ídolos vos convertestes a Deus” (I Tessalonicenses 1:9). Exceto que tu sejas assim convertido, nunca verás o reino de Deus.

2. Observe a extensão do remédio do evangelho: “Reconciliando consigo o mundo.” Não pode haver dúvida de que nem todo o mundo será salvo: “Estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.” As terríveis transações do dia do julgamento estão resumidas nestas solenes palavras: “Estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46). Uma surpreendente porção da raça humana partirá muda, com a consciência aterrorizada, auto-condenada, para um inferno tão eterno quanto o céu daqueles que são salvos. Oh auto-enganado universalista! Esta é uma palavra que descreve a eternidade do paraíso e a eternidade do inferno. Não pode haver dúvida de que Deus escolheu um povo particular deste mundo: “Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti” (Salmo 65:4). Por seis vezes, no décimo sétimo capítulo de João, Jesus os chama “os homens os quais me deste,” e Ele diz, “Eu oro por eles, Eu não oro pelo mundo.”

É ainda igualmente verdade que “[Deus] deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:4). Ele é “longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (II Pedro 3:9). “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.” O evangelho é verdadeira e sinceramente dirigido a “toda criatura debaixo do céu.” Os chamados e convites de Deus aos ímpios não são meras palavras, é claro, muito menos palavras enganosas e mentirosas; elas são verdadeiras, como Deus é verdadeiro. Não há sequer sombra de falsidade nelas. Escute as palavras de um mestre em Israel: “Tudo o que há em Deus é bom, e perfeito, e excelente, em nossos desejos e anseios pela conversão e salvação dos ímpios. Por exemplo, há um amor a santidade absolutamente considerada, ou uma concordância entre a santidade e Sua natureza e vontade; ou em outras palavras, a Sua inclinação natural. A santidade e felicidade da criatura, absolutamente consideradas, são coisas que Ele ama. Estas coisas são infinitamente mais agradáveis a Sua natureza do que a nossa. Tudo isso está presente em Deus, concernente aos nossos desejos por santidade e felicidade para os descrentes e réprobos, excetuando o que implica em imperfeição. Tudo isso é consistente com o conhecimento infinito, sabedoria poderosa, auto-suficiência, felicidade infinita e imutabilidade. Portanto, não há razão para que Sua presciência absoluta, ou Sua sábia determinação e ordenação do que é futuro, deva impedir Sua expressão desta disposição de Sua natureza, do modo como estamos acostumados a expressar tal disposição em nós mesmo, a saber, por chamados, e convites, e assim por diante.” [Jonathan Edwards, The Works, Ed. E. Hickman, 2:528.]

Oh pecador! É verdade que Deus não tem prazer em sua morte, mas sim, em que você se volte dos seus maus caminhos e viva. Deus honestamente, sinceramente, e com todo o Seu coração, suplica-lhe que se reconcilie através do sangue de Jesus. Ele está disposto neste dia a cobri-lo com o sangue e obediência do Senhor Jesus, para que Ele possa, de forma consistente com Sua justa e santa natureza, não imputar vossas ofensas a ti. Por que tem Ele te poupado do inferno até este dia? Somente porque “ele não está querendo que você pereça.” Porque tem Ele acompanhado você com pessoal e familiar misericórdia, conforto e livramento? “A benignidade de Deus te conduz ao arrependimento” (Romanos 2:4). Por que tem Ele enviado sobre você pobreza, doença, luto, desilusões, como onda sobre onda? Não seria esta a resposta: “Eu repreendo e castigo a todos quanto amo: sê pois zeloso, e arrepende-te” (Apocalipse 3:19). Por que o Espírito tem lutado com você na Bíblia, através de ministros, e na oração em secreto? Não seria porque o Santo Espírito de amor deseja que você se volte para Cristo, e por isso é “aborrecido,” e “entristecido”, pelo que vós “sempre resistis”? (Atos 7:51). Por que, acima de tudo, Cristo Se oferece gratuitamente a toda criatura, por que Ele tem batido em sua porta, e estendido Suas mãos a você ao longo de todo o dia? Ah! Leia aqui a resposta, a qual você recordará por toda a sua agonia eterna no inferno, se você não atender, “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste!” (Mateus 23:37). Oh pecador! O Senhor Jesus Cristo é como o maná. Ele caía ao redor das tendas de Israel toda manhã, de modo que nenhum israelita poderia sair de sua tenda sem colher algo dele, ou pisoteá-lo sob seus pés. Então, o Senhor Jesus é deixado a teus pés. Tu deves tomá-lO como teu Fiador, teu Salvador, teu Senhor, ou pisoteá-lO sob teus pés.



_______________________________________

1 A versão utilizada pelo autor é a King James Version (KJV). A Almeira, Corrigida e Revisada, Fiel (ACRF) foi adotada aqui por ser uma tradução muito próxima da versão do autor nesta passagem (grifo do autor) [Nota do Tradutor].

2 Neste caso a versão Almeida, Revista e Atualizada (ARA) se aproxima mais da versão utilizada pelo autor, mas a palavra aqui traduzida por “perversidade” aparece no original (inglês – KJV) como “iniquity” que seria melhor traduzida por “iniqüidade”. Na tradução das demais passagens será utilizada a versão ARA, a menos que outra versão se enquadre melhor [N. T.].

3 Tradução livre (grifo do autor) [N. T.].

4 Hebreus 10: 19, 22 [N. T.].

5 Levítico 16: 11, 14, 15 [N. T.].

Este texto foi publicado com a autorização de Len Hardison, Diretor de Desenvolvimento do Third Millennium Ministries. Agradecemos a forma carinhosa com que acolheu nossa petição. Deus abençoe este ministério!

Tradução por Nelson Ávila; publicado originalmente com o título “God in Christ Reconciling the World”, na RPM Magazine, no site da Third Millennium Ministries:

http://old.thirdmill.org/magazine/current.asp/category/current/site/iiim

Este artigo é fornecido como um ministério de Third Millennium Ministries.Se você tiver alguma pergunta sobre este artigo, por favor email nosso Editor Teológico. Se você quiser discutir este artigo em nossa comunidade online, por favor visite nosso RPM Forum.

Inscrever-se na RPM

Assinantes RPM recebem uma notificação por e-mail cada vez que uma nova edição é publicada. As notificações incluem o título, autor, e a descrição de cada artículo na edição, bem como links diretos para os artigos. Como a própria RPM, as inscrições são gratuitas. Para inscrever-se na RPM, por favor, selecione este link.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Quanto ao MACKENZIE, À Quem Possa Interessar!




Este texto foi publicado originalmente pelo Rev. Josafá Vasconcelos em 22 de novembro de 2010 no site da Igreja Presbiteriana de Herança Reformada (http://www.iphr.org.br/2010/11/quanto-ao-mackenzie-a-quem-possa-interessar/)

A Universidade Mackenzie foi fundada por Missionários Presbiterianos e, portanto, é uma instituição que pertence à Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), de orientação confessional de acordo com os princípios Bíblicos, Protestantes Reformados. Não é uma instituição independente descompromissada com a honra ou obrigada a anuir com toda e qualquer proposta mundana e desavergonhada. Seus fundadores a estabeleceram sob a égide do Evangelho e da moral cristã com três propósitos bem definidos: a Glória de Deus, o bem dos homens, e o testemunho da Igreja do Senhor nesta terra. Suas convicções eram libertárias e totalmente ausente de preconceitos. A escola visava abrigar filhos de protestantes perseguidos e filhos de escravos; em toda a sua história, jamais alguém foi barrado por sua orientação religiosa, política ou sexual. Mas é prerrogativa da Instituição associada vitalícia, a IPB, lhe nortear a linha de ensino e de orientação moral.

Onde está o absurdo de seu Chanceler, representante legítimo da IPB, associada vitalícia da Universidade, ao manifestar-se contrário a uma lei, que conquanto seja justa em parte ao proibir a discriminação da pessoa do homossexual, é totalmente injusta em outra parte, ao proibir a manifestação contrária à doutrina da homossexualidade? A Universidade e a Igreja são terminantemente contrários à discriminação de homossexuais e de quem quer que seja, como se pode verificar pelo testemunho de sua própria história centenária, mas não pode concordar com uma lei que proíba, sob pena de prisão, a liberdade de ensinar e orientar seus alunos que a prática da homossexualidade é contrária à natureza, prejudicial à pessoa humana, à saúde pública, à preservação da espécie humana e à sociedade como um todo, além de atentar contra a vontade revelada de Deus. Fico pensando, qual seria o absurdo da Pontifícia Universidade Católica e seu representante em expor publicamente, no site da Instituição, um manifesto a favor da vida e contra a prática do aborto? Porventura, seria ela execrada? Não seria isso óbvio e perfeitamente compreensivo? Certamente ela recebe em seus quadros professores e alunos que já praticaram o aborto, não discriminam, mas se reservam ao direito de orientar sua instituição, de mesma confissão, que essa prática é pecaminosa e contrária à vontade do Deus que confessam.

A mídia que está apoiando tão calorosamente essa lei, não percebe que ela é um trampolim para se alcançar o cerceamento da liberdade de expressão, e, portanto, ela mesma será vitima e não poderá, caso seja aprovada, se manifestar com liberdade sobre esse assunto de forma contraria, e quem sabe outros grupos não irão reivindicar esse mesmo privilégio? Nosso pais está sob ameaça na liberdade de impressa e expressão.

Como Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, que se orgulha da vocação nobre de nossa Igreja, cumprida da forma mais excelente, pelo nosso prestimoso Instituto Presbiteriano Mackenzie, quero dizer aos homossexuais, lésbicas, adúlteros, viciados, ateus e crentes de todas as religiões do mundo: Todos sois bem vindos, terão livre trânsito sem qualquer constrangimento nos seus campi e salas de aula. Todos serão tratados com dignidade e respeito, jamais serão discriminados ou se tolerará discriminação por parte de qualquer pessoa nessa honrada instituição. Todos poderão usufruir da excelência de seu ensino acadêmico, e os bafejos de amor e misericórdia da parte de Cristo em nome de quem o Mackenzie existe.

Afirmamos nossa solidariedade total e irrestrita ao mui digno Chanceler do Instituto Presbiteriano Mackenzie, Rev. Augustus Nicodemos. Estamos do seu lado para o que der e vier. Mesmo que seja a prisão, pois na esteira dos fiéis cristãos martirizados, como seus herdeiros, não calaremos a nossa voz.

Rev. Josafá Vasconcelos, Igreja Presbiteriana da Herança Reformada

(Gostaria de agradecer ao Rev. Josafá Vascocelos por autorizar a publicação deste texto. Ass: Nelson Ávila.)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A supremacia da Palavra de Deus e as outras opções...



Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”. (CFW cap.1 seção1)

Essa declaração demonstra o profícuo exame e cautela que os teólogos de Westminster tinham com relação a doutrina das escrituras. É uma lástima saber que nesses últimos tempos essa doutrina tem sido cada vez mais abandonada. A causa de tal negligencia e irreverência para com a autoridade bíblica nem sempre se dá no âmbito da teologia liberal (embora seja extremamente explícita na mesma), mas também acontece de modo sorrateiro nas mais variadas facetas do evangelicalismo moderno. Estudemos então a atualidade desse penoso trabalho puritano para os nossos dias.

“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação...”.

Observamos a perspicácia bíblica quando foram escritas essas palavras! Lembremos sempre que a doutrina das escrituras não está desvinculada de outros temas importantes da teologia cristã como, por exemplo, a doutrina da providencia e a cosmologia. Entendamos também que a contemplação da própria natureza demonstra a sua fluência e importância sobre as nossas considerações nas escrituras sagradas. A assembléia de Westminster já introduz sua defesa da legitimidade à suficiência bíblica com uma afirmação categórica: Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem...

Nessa declaração não foi realizada nenhuma tentativa de se comprovar a existência de uma providencia divina,exatamente porque essa é a premissa básica para se crer na autoridade das escrituras, acreditar em Deus, no sentido mais pleno da palavra. A luz da natureza e as obras da criação também gritam de forma avassaladora aos ouvidos de todos os homens. A natureza, criação e providencia testificam indiscretamente a existência do Deus auto-existente! O mundo encontra-se encharcado do testemunho de Deus. Essa é a revelação geral. A obra prima denunciando a identidade do seu Autor.

Analisando mais profundamente o assunto da revelação geral na visão bíblica, observamos algumas características: 1º.anunciar a gloria de Deus e mostrar que existe um arquiteto para esse universo.(Sl 19.1); 2º. falar do seu poder como Sua divindade (Rm 1.20) 3º. e que para os homens, essa lei foi escrita em seus corações (Rm 2.15). O que aprendemos nessas passagens bíblicas são verdades que confortam ao homem de Deus!

Deus sempre falou aos homens e a revelação geral é prova disso. Porem mesmo com tantas provas irrefutáveis que a bíblia nos dá desses fatos, ainda assim existe uma tremenda falta de reflexão e esclarecimento! A grande maioria dos teólogos neo-ortodoxos e pentecostais se perdem nesse assunto.

Alguns dizem que amam ouvir Deus falar, seja na musica do Raul Seixas ou nas Escrituras Sagradas. Para esses, acreditar que Deus fala-nos especifica, única e exclusivamente (em todo o nosso procedimento cristão, social e relacional) pela bíblia, se trataria de limitar a operação “dialética” do Todo Poderoso. Esse daí é o pessoal da teologia moderna.

E quanto ao outro grupo. São pessoas bem mais tementes ao Senhor, crêem que a bíblia é a palavra de Deus e procuram (na medida do possível) viver uma vida consagrada a Ele. Mas o conceito sobre revelação é de caráter extremamente contraditório. Crêem que Deus de maneira “menos autoritativa”, se revela aos homens sem haver necessariamente a escritura para isso. Questioná-los dizendo que Deus nos guia, transforma, edifica e literalmente fala com seu povo somente através da bíblia, é ser taxado de frio e que servimos a um Deus limitado, que fica calado nos céus comunicando-se aos homens através de um “papel” apenas e que isso seria igual ao deísmo.

É triste a conclusão que ambos os grupos chegam, mas quando não se há uma autoridade proposicional absoluta(a bíblia somente) sendo o juiz sobre os deveres morais do homem, então, deve-se procurar uma outra base de vida (quer sejam experiências ou qualquer outra coisa). Quando declaramos a supremacia da bíblia em todos os ramos de nossa vida, estes grupos que dizem amar e defender essa palavra, se dirigem a nós com palavras mais ou menos assim: Deus fala através da bíblia, mas também... E daí prosseguem seu argumento validando suas experiências e diminuindo cada vez mais a suficiência plena das sagradas escrituras.

Certa vez conversei com um estimado amigo e ele sendo a favor desse conceito de revelação continua, argumentou comigo com a seguinte dedução lógica:

(1) Deus se revela através da sua criação (REVELAÇÃO GERAL)

(2) Os homem também são sua criação (incluindo principalmente o crente)

(3) Logo a criatura humana pode trazer uma revelação da parte de Deus

A clareza de Rm.1 e 2 sobre esse assunto é estonteante. Com muita simplicidade todo o contexto dessa passagem explica-nos que a revelação geral se manifesta para que eles fiquem inescusáveis. Assim, notamos, que a revelação geral não serve de argumento para se trocar a bíblia pelas musicas do Raul Seixas ou para motivar alguma revelação contemporânea no meio da igreja com características proféticas. A revelação geral empurra os homens para a necessidade de se buscar a Deus, que por sua vez, se comunica especificamente na revelação especial. A bíblia não mostra a revelação geral como um fim em si mesma, mas apontando para a especial (a bíblia sagrada).

...por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade...

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas é um fato inegável. Sabemos que Iavé se comunicou no Antigo e Novo Testamento em sonhos, visões, anjos, teofanias e profecias, seu propósito era bem maior do que a satisfação do homem pela a experiência do momento. A finalidade era de mostrar Sua própria vontade revelada. O povo de Deus nos dois períodos da aliança ainda não tinha a bíblia. Era assim, no antigo testamento os sonhos tinham seu caráter profético e também mostravam decisões corretas que precisavam ser tomadas (Gn 37.9), essa comunicação também se dava através de anjos (Gn 24.7), teofanias (Deus aparecendo em forma humana Gn 16.7,9, 10; Ex 3.2) e em profetas que Deus também falou durante muito tempo na historia do povo de Israel.

No novo testamento era da mesma forma e Ágabo, as filhas de Felipe, Judas e Silas, ( At 11.27; 13.1; 15.32; 21.10) exemplificam muito bem essa dinâmica da comunicação divina entre os cristãos do século 1 através da profecia. A igreja precisava ser consolada em meio às muitas perseguições, necessitavam de doutrina firme e apoio vindo de Deus; então como ainda não tinham a bíblia completa, Deus lhes mostrava sua vontade revelada através dos profetas e eles de forma inerrante, comunicavam ao povo.

...tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”.

O autor da epistola aos Hebreus faz a seguinte afirmação: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos, pelos profetas (Hb 1.1 RA). Observamos aqui o autor anunciando esse evento (de Deus falar pelos profetas) como uma coisa de outrora, ou seja, algo que não estava em funcionamento em seus dias. O autor diz que Deus verdadeiramente falou através de profetas e isso muitas vezes (profetas desde Moises até o inicio do período neotestamentário), mas isso ocorreu antigamente (RC). Sim Ele falou de muitas formas (KJA), essas formas (gr. morfe), incluindo até mesmo teofanias, mesmo sendo contemplações maravilhosas de Deus entre os homens, ficaram limitadas apenas ao “outrora” do autor da epistola.

Mas nestes dias falou-nos por meio do filho (NVI). Repare bem a importância da conjunção adversativa em relação ao versículo anterior. A função dessa oração é fazer uma adversidade e um contraste explícito a idéia anterior. É como se o autor de Hebreus estivesse dizendo: Deus falou através de profetas? Sim! Mas agora (nestes últimos dias - no seu tempo é claro!) é diferente, Ele fala de uma outra maneira.

Existem alguns cristãos bem intencionados almejando viver mais intensamente a santidade prometida nas escrituras, e isso é digno de elogio, porém, desejam que esse outrora dessa epístola, seja a norma nesses últimos dias!

Quando mostramos nessa passagem bíblica a importância que esses eventos (profecias, sonhos e revelações) tiveram, mas, cumprindo seu propósito cessaram, rapidamente ouvimos a seguinte afirmação: a bíblia diz que nestes últimos dias nos falou pelo seu filho e não somente através da bíblia! Portanto como esse texto não proíbe profecias, sonhos e visões, então é nos permitido o exercício desses dons.

Meus irmãos, observemos bem a maneira bastante cativante que o autor se inclui nessa comunicação que foi feita a ele próprio dizendo que: nos falou pelo filho(v.2). Sabemos, de acordo com os maiores eruditos do novo testamento, que a epistola de Hebreus foi escrita por volta do ano 64.dc., antes de Jerusalém ser sitiada pelos romanos. O autor dessa epistola também nos mostra que ele era alguém que viveu num período bem mais tardio à época de pentecostes e dos proeminentes apóstolos (cf. 2.3-5) e ao identificá-los nestes termos - dando testemunho juntamente com eles (os apóstolos)- nos faz perceber sua distancia e a falta de intimidade com os apóstolos e discípulos primitivos. Mas se o autor não foi contemporâneo dos apóstolos e nem muito menos de Cristo, então, como assim ele afirma que falou-nos pelo filho?

Logicamente o autor sabia reverentemente o lugar que já no seu tempo o Filho falava. Ou seja, exatamente nas Sagradas Escrituras! O Filho falou-lhe pelos relatos escritos (manuscritos) que ele tinha em sua época. Os evangelhos e algumas cartas de Paulo que circulavam na Ásia e possivelmente em partes de Roma, lhes era o próprio Jesus Cristo comunicado e comunicando-se, o próprio Filho falando diretamente a esse autor da epístola!

Não pretendo prolongar mais este assunto examinando exegeticamente muitos outros textos que comprovariam a certeza desses fatos que estamos afirmando. Farei isso, mas em outra ocasião. Contudo, pretendo deixar uma advertência para aqueles homens e mulheres, meus irmãos em Cristo, pessoas com quem passarei toda a eternidade amando-os na glória eterna, a esse eu me dirijo com uns poucos conselhos:

1.Não continuem insistindo em novas revelações, profecias, sonhos e visões, como se ainda houvesse necessidade do Senhor nos falar dessa maneira. Aquele que adota uma outra autoridade para direcionar sua vida que não é a palavra de Deus, cai em sérios prejuízos com sua alma. Ele falou por profetas somente outrora, mas agora é pela a palavra.

2 ...e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda... Amados, Satanás sabe como somos criativos para interpretarmos os sonhos em suas riquezas de detalhes. O inimigo de nossas almas conhece mais do que eu e você, a autoridade que essa palavra de Deus tem e ele pode, e o faz freqüentemente, embaraçar-nos da maneira que pareça ser mais “espiritual”, “piedosa” e sutil possível. A bíblia é um livro muito perigoso e o diabo sabe muito bem.

3. Os homens mais piedosos da historia (incluindo os pais da igreja, reformadores, puritanos, Edwards, Spurgeon e etc), não andavam por aí ouvindo vozes e tendo visões. E esse é um contraste ao que dizem muitos“prega-dor-es” dos nossos dias. È algo muito serio. Analise a doutrina desses homens e você verá que são teólogos da prosperidade, místicos e desnutridos teologicamente. Uma boa parte desses são hereges e nos melhor das hipóteses sinceros, mas errados.

4. A solenidade desse tema é de nos fazer rever os conceitos e/ou experiências. Como você acha que Deus tratará alguém que nunca leu sua carta de amor toda, mas se entregou aos devaneios do misticismo histérico? Alguém que conhece mais os sonhos e pseudas revelações do que até mesmo a própria vida do profeta Habacuque? Certamente o juízo eterno será seu capataz e o tormento lhe causará muitos êxtases, mas de dor e desespero somente!

5. Aos ministros reformados que um dia juraram fidelidade aos padrões de Westminster no ato da ordenação ao ministério. Do que posso lhe chamar se não de um mentiroso, desonesto e imprudente? Alguém que jura um fato, mas depois quebra o juramento, entrega suas ovelhas ao matadouro do neo-montanismo e depois relega sua vida inteira tentando reinterpretar esta afirmação explicita de que ...tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo, cessou e pronto, o que devo dizer senão que você é alguém que não tem palavra de homem? Reconsidere o seu caminho e volte às antigas veredas. Seja franco consigo mesmo e talvez assim sua congregação o verá novamente como um homem de Deus.

6. Aos ortodoxos. Recomendo aquela admoestação do Senhor que diz ser verdadeiro o amar a Deus de todo ocoração, de toda alma e não somente pelo entendimento. Defendo que um culto aceitável a Deus é aquele que Paulo o chama de racional. Mas não concebo como alguém pode entender as verdades do evangelho e ficar apático a isso. Como um homem pode pregar sobre o fervor do Espírito e parecer que está sentado numiceberg. Falar as verdades do evangelho com muita erudição e nenhum calor na alma. Pregar sobre o inferno sem lágrimas. Acredito que muitos reformados dos nossos dias possuem cérebros inchados e olhos secos. Alguém professa um cristianismo erudito, mas sem vida. Um insulto ao terceiro mandamento (Ex 20)! Alguém que não merece o titulo de pregador do evangelho.

Reflitamos nas palavras de Baxter e sua própria vida de devoção:

"E quanto a mim, eu estou envergonhado por causa do meu cora ção estúpido e negligente, pela vagarosidade e inutilidade da minha exis tência; o Senhor me conhece e sabe, eu estou envergonhado de cada ser mão que eu prego; quando eu penso no fato de que a salvação ou conde nação dos homens podem estar profundamente relacionadas com aqui lo que eu prego, a única coisa que posso fazer é tremer receando que Deus possa me julgar como um barateador das Suas Verdades e das al­mas dos homens, ou que no meu melhor sermão eu tenho sido culpado do sangue de muitos.

Não é sem lágrimas que devemos nos dirigir aos homens sobre um assunto de tão drásticas conseqüências; não deve ser sem o maior cuida do de nossa parte; poderia sim, ser, sem o mais intenso zelo ou sem lágri mas, se nós não fôssemos ser tidos como culpados do pecado que nós tan to reprovamos."

Rogo a Deus para que a vida dos cristãos de nossa época seja de fervor nas palavras do evangelho de Cristo. Que o Senhor nos ajude a avaliarmos nossas experiências e as canalize num caminho correto de Sua palavra bendita. Com muita sinceridade eu suplico ao Onipotente que nos leve pela fé, por aquele caminho de Emaús em que diziam: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?

Que a Sua palavra venha arder em nosso coração e nos constranger em Sua santa presença para fazer-nos amantes do seu precioso conteúdo. Aconselho a você, por amor a sua própria saúde espiritual, que primeiro venha a palavra e depois a experiência. Nunca a ordem inversa!

A expectativa e a reverencia de David Brainerd no seu leito de morte, quando entraram com a bíblia na mão e em delírios de morte gritava, pode nos servir de um bom exemplo:

"Oh! o querido Livro! Breve hei de vê-lo aberto. Os seus mistérios me serão então desvendados!"

Evandro.C.S.Junior

26 de Novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O “deus” de amor dos “Teístas Abertos” (“Teólogos Relacionais”) e “Teólogos Liberais”


Deus é AMOR!!! Este tem sido o maior slogan cristão dos nossos tempos. Sem dúvida, Deus É AMOR!!! É maravilhoso saber que entre Seus atributos encontra-se o Amor. Assim como Deus é imutável (“Pois Eu, o Senhor, não mudo” [Ml 3.6]) e Eterno (Gn 21.33; Dt 33.27; Jr 10.10), Ele “é amor” (1 jo 4.8), e por isso podemos confiar e nos alegrar na palavra que diz: “com AMOR ETERNO te amei”(Jr 31.30). Desde o princípio Deus era e continuará sendo pelos séculos dos séculos o “DEUS DE AMOR” (2 Cor 13.11); Ele não ama hoje e amanhã deixa de amar1. Seu amor permanece inabalável a preencher os recipientes de Sua misericórdia.

Deus é perfeito e o amor é uma das perfeições do caráter de Deus. Deus não pode ser mais amoroso (ou menos amoroso), pois de outra forma Ele não seria perfeito; haveria algo ainda a ser melhorado (ou acrescentado) ao Ser de Deus. Portanto, Deus ama na medida certa. Contudo, quanta confusão se tem levantado sempre que se eleva um dos atributos de Deus acima dos demais. Por exemplo: Através da ênfase na Onipresença e na Imanência de Deus, chegou-se ao Panteísmo2; do mesmo modo, através da ênfase na Transcendência de Deus, chegou-se ao agnosticismo3; da ênfase na Onipotência e Onisciência, originou-se o Fatalismo mórbido, que coloca o homem na condição de um ser passivo e inerte, negando-lhe qualquer tipo de responsabilidades. Mesmo que seja o amor, um dos considerados mais sublimes atributos de Deus, este também não pode ser colocado acima, como gerenciador, dos demais atributos do Ser de Deus, pois todos eles coexistem igualmente. No entanto, a ênfase no amor de Deus tem sido marca registrada desta geração e tem trazido drásticas consequências para a igreja, como por exemplo, o surgimento do “Teísmo Aberto” (ou “Teologia Relacional”, como é conhecido no Brasil).

O “Teísmo Aberto” (ou “Teologia Relacional”) que tem suas origens na Filisofia Grega4, Arminianismo5, Socinianismo6 e Teologia do Processo7, ensina que, por amor, Deus criou criaturas e quis relacionar-se com elas, mas, para que este relacionamento fosse verdadeiro, estas pessoas precisavam ser totalmente livres; por isso, Deus, em amor a este relacionamento, abriu mão de Sua soberania, erguendo-se do trono do universo e unindo-se aos agentes livres que criou, para juntamente com Eles construir o futuro. Deus também deixou de lado Sua Onisciência, pois, não haveria um relacionamento de fato livre se ele soubesse o que faríamos amanhã, por isso, Deus poderia saber tudo acerca do passado e do presente, mas não do futuro. Este relacionamento também continuaria não sendo livre se Deus interferisse nas atitudes livres de Suas criaturas sempre que algo não saísse de acordo com Seus planos, por isso Deus multilou Sua Onipotência, podendo tudo, mas nada fazendo sem consentimento prévio de todos os agentes livres envolvidos na situação.

Veja o Deus de amor do teísmo aberto em ação: Imagine a cena: um homem viciado em crak sai pelas ruas com uma arma na mão. Ele quer mais dinheiro para sustentar seu vício. Numa rua sem movimento e mal iluminada, uma jovem caminha rumo a estação de metrô. Ela se atrasou no trabalho e saiu mais tarde que o habitual. O encontro é inevitável e Deus assiste tudo... O homem saca a arma. Ela tenta fugir e ele dispara. Ela cai morta e ele vai embora com o dinheiro... Segundo o teísmo aberto, Deus nada podia fazer, pois, se o fizesse, violaria a liberdade (livre-arbítrio) daqueles agentes livres. Deus não sabia o que aconteceria, pois haviam muitas ações livres implícitas na questão e tudo o que Deus conhece são as possibilidades. Aquilo machucou profundamente o coração de Deus e ele certamente estava torcendo para que nada de mal acontecesse, mas não havia nada que Ele pudesse fazer, se não lamentar angustiadamente. E quanto ao propósito? Deve haver algum propósito em todo este caso lamentável... O deus do Teísmo Aberto diz: NÃO! Foi tudo uma fatalidade...

Bruce A. Ware, ilustrando a visão do “Teísmo Aberto” acerca do sofrimento escreve: “Quando a tragédia entrar em sua vida, por favor, não pense que Deus tem algo a ver com isso! Deus não deseja que a dor e o sofrimento ocorram e, quando isso acontece, ele se sente tão mal com a situação como aqueles que estão sofrendo. Não pense que, de alguma maneira, essa tragédia deva cumprir algum propósito final. É bem possível que não seja assim! O mal que Deus não deseja acontece a todo momento e, com frequência, não serve para nenhum bom propósito. Porém, quando sobrevém a tragédia, podemos confiar que Deus está conosco e nos ajuda a reconstruir o que se perdeu. Afinal, de uma coisa temos certeza, a saber: Deus é amor. Então, embora não possa evitar que uma boa parcela de coisas ruins aconteça, ele sempre estará conosco quando elas acontecerem”8.

Será que a Bíblia se engana ao relatar o episódio de Atos 4.27,28? “De fato, Herodes e Pôncio Pilatos reuniram-se com os gentios e com o povo de Israel nesta cidade, para conspirar contra o teu santo servo Jesus, a quem ungiste. Fizeram o que o teu poder e a tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse” (NVI – ênfase acrescentada). Não lemos aqui que todo o sofrimento que sobreviera sobre Jesus fora determinado por Deus? Deus estava por trás de tudo isso (inclusive das ações, supostamente “livres”, dos ímpios) e não era sem propósito; foi por meio deste sofrimento que recebemos a salvação! E o que dizer sobre o diálogo entre Deus e Ananias a respeito do apóstolo Paulo? Atos 9.15,16: “Mas o Senhor disse a Ananias: ‘Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome” (NVI – ênfase acrescentada). Como, pela visão do “Teísmo Aberto”, responder a passagens como essas sem desrespeitar (ou até mesmo violentar) o texto bíblico? Só podemos dizer que “A visão aberta rebaixa Deus, pura e simplesmente falando. Tenta tornar mais significativa a escolha e ação humanas, a custa da própria grandeza e glória de Deus. O Deus do teísmo aberto é muito limitado, simplesmente por ser menos que o majestoso, pleno conhecedor, todo-sábio Deus da Bíblia” 9. O deus do Teísmo Aberto não sabe e não pode; está cego quanto ao futuro; tem a boca fechada e as mãos amarradas para não interferir nas livres escolhas (livre-arbítrio) de seus agentes livres; está limitado pelo poder das suas criaturas.

O Teísmo aberto tira o controle remoto do mundo das mãos de Deus e o coloca nas mãos dos homens. É o antropocentrismo entronizado. É um deus estremamente debilitado e não o Deus das Escrituras, sobre o qual lemos: “Porque o domínio é do Senhor, e ele reina sobre as nações” (Sl 22.28); “Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz” (Sl 115.03). Sobre Sua onisciência: “...Eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade” ( Is 46. 9,10). Como disse C. S. Lewis: “Todo aquele que realmente crê em Deus acredita que Ele sabe o que você e eu vamos fazer amanhã”10. O deus do Teísmo aberto só nos deixa o desespero, pois um deus que não seja o “Todo-Poderoso” que “reina” (Ap 19.6; 15.3 [ó Rei dos séculos]) e conhecedor de “todas as coisas” (1 Jo 3.20 [inclusive “as coisas que ainda não sucederam” - Isaías 9.10]) não é digno de confiança nem tem autoridade para fazer cumprir suas promessas. “Quanto à visão aberta, só se pode dizer o seguinte: ‘O Deus deles é limitado demais!’”11.

Há, ainda, um outro deus, cuja matéria-prima constituinte de seu ser é tão somente o amor; um deus que está mais preocupado com as misérias do povo do que com suas crenças; um deus que no final das contas perdoará a todos e lhes dará lugar junto dele no paraíso. Alguns poderiam questionar: “E o inferno?”, “Inferno?! Isto não existe!”, responderiam os seguidores deste deus, “pois um deus que é amor não poderia lançar as pobres e imperfeitas criaturas que idealizou em qualquer tipo de tormento sem fim. Isto feriria o caráter do amor divino, ao passo que o sofrimento eterno de suas criaturas seria o seu próprio sofrimento eterno”, e, indo além dos aniquilacionistas: “O amor de Deus não tem fim, e esse amor perdoa TUDO!”, argumentariam ainda.

Semelhantemente ao Teísmo aberto, este também não é o Deus da Bíblia. Este é o deus que os liberais e nossa cultura secularizada e sentimentalista criaram para si mesmos. É muito agradável, para alguns, levar uma vida sem sensuras; fazer tudo o que quiser sem ter que se preocupar de um dia prestar contas do que quer que seja, e mais do que isso, é muito agradável acreditar em um “deus” que vive somente para o bem-estar do ser-humano; um “deus” cujo principal obejetivo é a felicidade de suas criaturas e a realização dos desejos destas. Mas, onde foi parar a glória de Deus? No Breve Catecismo de Westminster lemos que: “O fim principal do homem é GLORIFICAR a Deus e gozá-lo para sempre”12 e não o contrário. Deus não existe por causa de nós; Ele “existe desde a eternidade” (Sl 93.2) e não precisava de nós lá, pois se fôssemos necessários, também existiríamos desde a eternidade. Deus não é este senhor senil e benevolente, que passa a mão na cabeça de suas criaturas rebeldes, sendo conivente com suas iniquidades. Ele exige SANTIDADE! (Hb 12.14 - “sem a qual ninguém verá o Senhor”). Deus “ODEIA a todos os que praticam a maldade” (Sl 5.5). Mas alguém me dirá: “Não! O meu deus não odeia, ele é só amor!” Sinto muito informar-lhe, mas não é isso que as Escrituras afirmam. Deus “ODEIA” e como Diz Paul Washer: “Deus é amor portanto Ele DEVE odiar... [e, exemplificando acerca disto, ele continua] ...Se eu amo bebês eu devo odiar aborto. Você ama judeus? Deve odiar o Holocausto. Você ama Afro-Americanos? Você deve odiar a escravidão deles... Percebe? Se você realmente ama o que é certo, o que é perfeito, o que é bom, então também odiará, e se oporá contra tudo que contradiz aquele padrão. Deus ama tudo o que é certo, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é bom, todas as virtudes, mas Escritura após Escritura, a Bíblia nos diz que Sua Ira é manifesta contra toda impiedade! (Rm 1.18)”13. Você lerá sobre a ira de Deus em Números 22.22; Deuteronômio 4.25; 6.15; 9.7; 31.17; Josué 23.16; Juízes 2.12; 2 Samuel 6.7; Jó 4.9; Salmo 27.9; 77.9; 78.31; 85.4; Jeremias 42.18; Ezequiel 13.13; 25.14; Oséias 11.9; Jonas 3.9; Naum 1.2; João 3.36; Romanos 1.18; 2.5; 3.5; Efésios 5.6; Colossenses 3.6; 1 Tessalinissenses 2.16; Apocalipse 14.10,19; 15.1, 7; 16.1; 19.15... Só para citar alguns textos. E o que dizer de Jesus? Jesus foi o mais amoroso e manso homem do qual se tem notícia, todavia, o vemos revirando mesas e cadeiras, expulsando os mercadores do templo (Mr 11.15); o vemos também, em confronto com os fariseus, a declarar: “Vós tendes por pai o diabo” (Jo 8.44) e ainda: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.36). Estaria Jesus sendo desamoroso aqui, ou esta seria uma mancha no caráter do Mestre? Jesus, aquele homem que era todo amor, falando palavras tão ásperas, inclusive sobre inferno? D. Eryl Davies diz que “A maior parte das referências diretas do Novo Testamento ao inferno vem dos lábios do Senhor Jesus Cristo e se encontra predominantemente nos Evangelhos sinóticos”14; Jesus, o “Filho amado”, não aliviou sua mensagem para ser mais aceito ou estimado, Ele pregou a verdade e esta verdade inclui algumas realidades que são extremamente desagradáveis à mente carnal, mas devem ser aceitas por aqueles que se denominam seguidores e adoradores do Cristo. “W. G. T. Shedd está certo quando afirma: ‘O apoio mais forte dado a doutrina da punição eterna está no ensino de Cristo (...) Jesus Cristo é a pessoa responsável pela doutrina da punição eterna. Ele é o ser contra quem todos os oponentes deste dogma teológico estão em conflito’”15.

Deus disse a Moisés: “Eu Sou o que Sou” (Ex 3.14) e é assim que devemos adorá-LO, não tentando fazer de Deus aquilo que Ele não é ou o que queremos que Ele seja. Aquele que adora outros deuses (por mais amorosos que possam parecer estes outros deuses), está sujeito ao juizo do Senhor, que diz: “Certamente perecerá” (Dt 8.19) e o “profeta que tiver a presunção de falar [...] em nome de outros deuses, esse profeta morrerá” (Dt 18.20).

“Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3). Este é o mandamento mais quebrado e o pecado mais cometido em nossa geração!

Soli Deo Gloria!


Nelson Ávila.

____________________________________________

1 Richard Baxter (1615-1691) em seu sermão “Directitions Against Inordinate Man-pleasing”, na “Direction XI” (“The Advantages of Pleasing God Rather than Men”) disponível em português no endereço eletrônico: http://emdefesadagraca.blogspot.com/2010/10/as-vantagens-de-agradar-deus-ao-inves.html e originalmente em: http://www.puritansermons.com/baxter/baxter10.htm) diz que “Ele é constante e imutável, e não está satisfeito com uma coisa hoje e outra oposta amanhã; nem com uma pessoa este ano da qual se cansará no próximo”.

2 Na enciclopédia eletrônica livre Wikipédia, encontra-se um breve resumo sobre o panteísmo onde lê-se:

“A principal convicção é que Deus, ou força divina, está presente no mundo e permeia tudo o que nele existe. O divino também pode ser experimentado como algo impessoal, como a alma do mundo, ou um sistema do mundo. O panteísmo costuma ser associado ao misticismo, no qual o objetivo do mortal é alcançar a união com o divino” (Acessado em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pante%C3%ADsmo, em 11 de novembro de 2010 as 11:08 hs.).

Em suma, Deus é tudo e tudo é Deus (em grego: pan, tudo; theos, Deus).

3 “Agnosticismo” deriva-se da palavra grega “agnostos”, sendo “a” um prefixo de privação (ou de negação) e “gnostos” (conhecimento).

O agnosticismo separa aqueles que acreditam que a razão não pode penetrar o reino do sobrenatural daqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teística (...) Alguém que admita ser impossível ter o conhecimento objetivo sobre a questão — portanto agnóstico — pode com base nisso não ver motivos para crer em qualquer deus (ateísmo fraco), ou pode, apesar disso, ainda crer em algum deus por fé (fideísmo). Nesse caso pode ser ainda um teísta, caso acredite em conceitos sobrenaturais como propostos por alguma religião ou revelação, ou um deísta, caso acredite na existência de algo consideravelmente mais vago” (Acesso in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnosticismo, em 11 de novembro de 2010, as 14:50 hs).

Em suma, o agnóstico admite a possibilidade de um Deus, mas não admite a possibilidade de se chegar a qualquer definição acerca deste Deus, por Ele estar infinitamente distante da compreenção humana.

4 Segundo o Rev. Augustus N. Lopes, “Algumas das idéias da Teologia Relacional têm uma impressionante semelhança com as especulações dos filósofos gregos”, como por exemplo, “o livre-arbítrio libertário” que traz “a idéia de que o arbítrio humano é completamente independente de forças externas e internas e, portanto, totalmente livre em tomar decisões. Isso ocorre porque o mundo e a história são governados pelo acaso.” Há também o conceito da “limitação de Deus”. “Os deuses da mitologia grega, cantados na Odisséia e na Ilíada de Homero, são concebidos como seres finitos e limitados, que não governam o mundo de acordo com sua vontade, mas espreitam os homens e suas decisões, intervindo algumas vezes”. Por fim, ele cita “o conceito de um futuro aberto e indeterminado” onde “encontramos a idéia de um mundo autônomo, funcionando por si mesmo, já que não havia deuses que determinassem seu curso, e visto que as decisões humanas eram imprevisíveis”. “Essas idéias acima podem ser encontradas em filósofos como Tales, Epicuro, Platão e Aristóteles, para mencionar alguns.” (LOPES, Augustos N., Teologia Relacional: Suas origens, seus ensinos, suas consequências, São Paulo, ed. PES, 2008, pgs. 12, 13.)

5 O Rev. Augustus N. Lopes em seu livro Teologia Relacional: Suas origens, seus ensinos, suas consequências declara:

“A maior influência na Teologia Relacional, sem dúvida é o arminianismo. Podemos afirmar inclusive que ela é um desenvolvimento lógico do arminianismo, ou ainda, o arminianismo levado às suas últimas consequências (...) O ponto central do arminianismo é que a salvação depende da decisão humana. É o homem, com seu livre-arbítrio, quem decide o seu futuro e, portanto, o futuro da raça humana. A salvação foi dada por Deus mas ela só é eficaz se o homem decidir aceitá-la.” (LOPES, Augustos N., Teologia Relacional: Suas origens, seus ensinos, suas consequências, São Paulo, ed. PES, 2008, pg. 13)

Em seu livreto “Os cinco pontos do calvinismo”, W. J. Seaton faz distinção entre a visão calvinista e a arminiana, relacionando os cinco pontos do arminianismo da seguinte maneira: “1. Livre-arbítrio, ou capacidade humana (...) 2. Eleição condicional (...) 3. Redenção universal, ou expiação geral (...) 4. A obra do Espírito Santo na regeneração limitada pela vontade humana (...) 5. Cair da graça” (SEATON, W. J., Os Cinco Pontos do Calvinismo”, São Paulo, SP, editora PES, pgs. 3, 4.). Sobre estes cinco pontos o Rev. Nicodemus escreve: “A Teologia Relaconal concorda com praticamente todos os pontos da interpretação arminiana da salvação com exceção daquele que fala da presciência de Deus [eleição condicional], que Deus anteviu a escolha dos que haveriam de ser salvos. (LOPES, Augustos N., Teologia Relacional: Suas origens, seus ensinos, suas consequências, São Paulo, ed. PES, 2008, pg. 15.).

6 “Este é o nome que se dá a outra corrente teológica do século XVI originada nas idéias dos italianos Lélio Socínio (1525-1562) e seu sobrinho Fausto Socínio (1539-1604). Esses teólogos negavam em seus escritos a deidade de Cristo, Sua morte vicária na cruz e a imputação da Sua justiça aos pecadores arrependidos. Suas idéias eram tão heréticas que foram condenadas pelos católicos e pelos protestantes”. Declarou o Rev. Augustus N. Lopes; ao abordar o assunto acerca da visão sociniana da onisciência de deus, prosseguiu:

“O ponto que nos interessa aqui é a aquilo que os teólogos relacionais acreditam (...) Lélio e Fausto argumentaram que os calvinistas estavam, a princípio, logicamente corretos em dizer que o conhecimento que Deus tem do futuro se baseia no fato que o próprio Deus havia determinado tudo o que vai acontecer. Deus sabe as coisas que vão acontecer porque Ele mesmo determinou essas coisas. Todavia, eles prosseguiram a argumentar que os arminianos estão corretos quando dizem que é inadmissível pensar que Deus determinou tudo que vai acontecer, pois isso anula a liberdade humana. Logo, para que se possa preservar a plena liberdade do homem, é preciso negar não somente que Deus preordenou as decisões livres de agentes livres, mas também que Deus conhece de antemão quais serão tais decisões. E assim, os socinianos foram além do calvinismo e do arminianismo, negando a soberania de Deus (calvinistas) e também a Sua presciência (arminianos) (...) É exatamente esse o ensino da Teologia Relacional quanto à presciência de Deus (... ) A semelhança é notável, até mesmo nos detalhes. Os socinianos diziam que a onisciência de Deus significava que Deus conhecia tudo o que era possível de ser conhecido. Como as decisões livres dos seres humanos eram impossíveis de serem conhecidas – exatamente porque eram livres – Deus não podia ter conhecimento delas. Os teólogos relacionais argumentam da mesma forma, redefinindo a onisciência de Deus de maneira similar.” (LOPES, Augustos N., Teologia Relacional: Suas origens, seus ensinos, suas consequências, São Paulo, SP, editora PES, 2008, pgs. 16, 17, 18.).

7 Nas palavras do Rev. Augustus N. Lopes:

“Existe também uma semelhança visível entre a relação de Deus com o tempo defendida pela Teologia Relacional e aquela da Teologia do Processo. É verdade que os teólogos relacionais criticam a Teologia do Processo; todavia, não conseguiram se distanciar o suficiente para evitar a sua influência (...) De acordo com o cristianismo clássico, o Deus eterno criou o tempo e vive fora dele. Dessa forma, ele pode contemplar simultaneamente o passado, o presente e o futuro, como se fossem janelas ou telas abertas diante dEle. A Teologia do Processo nega esse conceito e defende que a realidade está em processo de mudança constante e que Deus evolui e progride dentro dessa realidade. Os teólogos relacionais admitem que Deus vive no tempo, mas discordam que isso faça parte essencial da Sua existência. Afirmam que ele optou por viver no tempo para poder Se relacionar de forma amorosa e significativa com Suas criaturas (...) apesar das críticas à Teologia do Processo, a Teologia Relacional afirma que Deus vive dentro do tempo, sujeito ao passar do tempo e às mudanças que isso proporciona. Ao final, temos de lidar com um Deus que, à nossa semelhança, aprende e evolui com o passar do tempo e não pode saber com exatidão o que nos aguarda no futuro. (LOPES, Augustos N., Teologia Relacional: Suas origens, seus ensinos, suas consequências, São Paulo, SP, editora PES, 2008, pgs. 19,20).

Outras semelhanças são: “a crítica de que a teologia cristã clássica foi influenciada por idéias da filosofia grega quanto a formulação da doutrina de Deus” (Ibid, p. 21); ambas defendem também:

“uma reformulação da doutrina clássica a respeito de Deus. A onisciência de Deus deve ser entendida como Seu conhecimento de tudo que pode ser conhecido – menos o futuro que ainda não aconteceu. A onipotência é entendida como poder perfeito, mas Deus não tem monopólio dele. Ele tem todo o poder possível a um ser. Não que Seu poder seja ilimitado. Ele é somente o maior. Portanto, Deus nunca pode determinar um evento, ou que alguma coisa aconteça irreversivelmente. Seu poder é coercivo, nunca determinativo. Todas essas idéias são também defendidas pelos teólogos relacionais” (Ibid, pgs. 21, 22).

8 WARE, Bruce A., Teísmo Aberto: A teologia de um deus limitado, São Paulo, SP, Vida Nova, pgs. 13,14 (ênfase acrescentada).

9 Ibid., pg. 21.

10 Citado na capa do livro “Teísmo Aberto: Uma teologia além dos limites Bíblicos” (PIPER, John; TAYLOR, Justin; HELSETH, Paul K., Teísmo Aberto: Uma teologia além dos limites bíblicos, São Paulo, SP, Vida, 2006).

11 WARE, Bruce A., Teísmo Aberto: A teologia de um deus limitado, São Paulo, SP, Vida Nova, pg. 20.

12 O Breve Catecismo/ Assembléia de Westminster (1643 a 1652); [tradução Igreja Presbiteriana do Brasil]. – 2.ed. – São Paulo: Cultura Cristã, 2005, pg. 7.

13 Vídeo disponível em: http://emdefesadagraca.blogspot.com/2010/05/deus-odeia-pecadores-e-nao-somente-o.html . (acesso em 16 de novembro de 2010, as 14:05 hs.).

14 DAVIES, Eryl D., Um Deus Irado: O lugar do inferno na pregação, São Paulo, SP, editora PES, p. 9.

15 Ibid, pgs. 9, 10.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...